PCP acusa Passos de "mistificação" e diz que "nuvens negras" vão permanecer


 

Lusa/AO Online   Nacional   26 de Dez de 2014, 05:34

O PCP considerou que o único consenso que existe na sociedade portuguesa é para a demissão do Governo e defendeu que as "nuvens negras" vão permanecer no horizonte do país em 2015.

 

Estas posições foram assumidas numa declaração aos jornalistas feita pelo membro da Comissão Política do PCP, João Dias Coelho, em reação à tradicional mensagem de Natal proferida pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na qual defendeu que Portugal tem agora um horizonte aberto, sem acumulação de "nuvens negras", mas advertindo que importa proteger aquilo que foi conseguido com sacrifício.

De acordo com João Dias Coelho, o primeiro-ministro, na sua mensagem de Natal, "continuou a insistir na mentira e na mistificação".

João Dias Coelho referiu a título de exemplo que a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2015, em conjunto com o Tratado Orçamental da União Europeia, "terá consequências terríveis na vida concreta dos portugueses".

"Perante o grande apelo que o primeiro-ministro fez relativamente ao consenso nacional, o PCP diz que sim, que há um grande consenso nacional, que é a necessidade de demissão do Governo para uma outra política que lance o país num outro caminho. Portugal precisa de uma política patriótica de esquerda - e esse caminho está na força, na vontade e na luta do povo português", advogou.

Questionado sobre a ideia de Pedro Passos Coelho de que Portugal tem agora no horizonte uma menor acumulação de nuvens negras, João Dias Coelho contrapôs: "Cada um dos portugueses sabe bem que, no concreto, não há emprego - e essa é uma das nuvens negras que paira sob a vida do povo português".

"Temos mais de 2,5 milhões de pobres em Portugal, dos quais meio milhão são crianças. Portanto, essas nuvens negras vão continuar. Mas os portugueses podem contar com o PCP para prosseguir a luta pela demissão do Governo. Como o secretário-geral [Jerónimo de Sousa] costuma dizer, nem que seja por um dia, os portugueses ganham" com a demissão do Governo, afirmou o dirigente comunista.

Para o membro da Comissão Política do PCP, o caminho que o Governo tem seguido "é de declínio nacional e de empobrecimento dos portugueses".

"Há soluções e o PCP defende uma política patriótica de esquerda", insistiu, antes de negar que exista em 2015 qualquer recuperação do poder de compra por parte dos portugueses.

"Isso é uma enorme mistificação, porque o Governo o que faz é dar com uma mão, mas, depois, tira com as duas. A carga fiscal será enorme particularmente em relação aos trabalhadores, já que o grande capital, como no que respeita ao IRC, continuará a beneficiar enormemente", acrescentou.



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