PCP/Açores diz que maioria absoluta do PS "faz de conta que dialoga"

PCP/Açores diz que maioria absoluta do PS "faz de conta que dialoga"

 

LUSA/AO online   Regional   14 de Jul de 2016, 14:24

O deputado do PCP no parlamento dos Açores, Aníbal Pires, afirmou hoje que a maioria absoluta do PS na região "faz de conta que dialoga", considerando que é tempo de "introduzir outros matizes cromáticos" que não apenas o cor-de-rosa

"Esta maioria absoluta faz de conta que dialoga, aprova propostas porque politicamente não tem como as reprovar, mas a sua concretização fica, bastas vezes, adiada ‘sine die’”, afirmou Aníbal Pires numa declaração política no plenário da Assembleia Legislativa Regional, que decorre na Horta, ilha do Faial.

Adiantando que, ao longo da atual legislatura, o PCP apresentou “inúmeras propostas legislativas”, o deputado realçou que muitas delas “foram limitadas nos seus efeitos e no seu alcance pela falta de vontade política ou incúria do Governo Regional e da maioria que o suporta”.

“Este constante adiar, protelar, limitar, reduzir, evitar a aplicação ou esquecer por completo as medidas que aprova no parlamento regional são, infelizmente, uma marca característica deste Governo e da maioria absoluta que o suporta”, reiterou.

O deputado único do PCP acusou ainda o PS de, depois, surgir “com enorme hipocrisia política, a proclamar a sua generosidade e abertura, por ter aprovado algumas propostas que não têm qualquer intenção de aplicar”, o que demonstra “um grande desrespeito pelo sistema autonómico e pelo papel e poder legislativo do parlamento regional”.

Para Aníbal Pires, “são já demasiados anos a viver atrás da espessa carapaça da maioria absoluta, que o torna imune às queixas e problemas dos açorianos e em relação à realidade” da região, frisando que “a oportunidade de mudança ocorre já no próximo mês de outubro”, com as eleições legislativas regionais de 16 de outubro.

No debate que se seguiu, Paulo Estêvão, do PPM, subscreveu que “a maioria absoluta é um obstáculo às mudanças políticas e económicas” necessárias à região, pelo que “é absolutamente fundamental que esta maioria termine no dia 16 de outubro”.

Já Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, lamentou não ter ouvido a assunção por parte do PS e do Governo Regional de “alguns dos erros e omissões”, enquanto Artur Lima (CDS-PP) declarou que após 20 anos de governação socialista no arquipélago não se deveria ouvir que os Açores são “a região do país com menos coesão, menos competitividade e menos desenvolvimento regional”.

O social-democrata Luís Maurício considerou que a realidade do PS e do executivo não é a realidade da sociedade civil e exemplificou propostas aprovadas no parlamento que não tiveram sequência, para concluir que “20 anos é, na realidade, muitíssimo tempo”.

Na primeira intervenção que fez no plenário deste mês, o presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, que enumerou as propostas dos partidos da oposição que a maioria parlamentar socialista aprovou, sustentou que “ao PS não tem faltado humildade democrática” e admitiu que, em determinadas áreas, como o sucesso escolar, o combate à violência doméstica ou na exclusão social, o executivo regional gostaria que se tivesse “avançado mais rapidamente”.

“Isso não significa que o Governo não tenha feito nada, nem significa que estejamos a falhar”, sublinhou, para acrescentar que “ter maioria estável nesta assembleia e respeitar a democracia não é ignorar aquilo que a maioria dos açorianos disse que queria fazer e passar a seguir aquilo que a não maioria dos açorianos disse que queria fazer”.

Afirmando-se de “consciência tranquila”, Vasco Cordeiro adiantou que se procurou “sempre o melhor nas propostas” que surgiram, “viessem elas de onde viessem”.

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