Paz social da empresa perturbada por visões diferentes de gestão

Paz social da empresa perturbada por visões diferentes de gestão

 

AO/LUSA   Regional   8 de Abr de 2018, 12:01

A paz social na Azores Airlines tem sido perturbada nos últimos anos por visões diferentes sobre a estratégia a seguir da administração e do Governo dos Açores, por um lado, e de sindicatos, por outro.

Além das greves convocadas pelos sindicatos, a presidência do Conselho de Administração do grupo SATA alterou-se por várias vezes nos últimos cinco anos.

A Comissão de Trabalhadores da Azores Airlines já referiu temer pelos postos de trabalho com o processo de privatização parcial da empresa, mas admite que a alienação "pode ser a solução, dado o aumento da dívida e a situação atual da empresa".

No campo político, o BE/Açores quer que o Tribunal de Contas promova uma auditoria à Azores Airlines, o que permitiria identificar as necessidades de recapitalização da empresa, bem como outras recomendações julgadas úteis para o seu saneamento financeiro e sustentabilidade futura.

Uma vez que os resultados económicos da companhia aérea de 2016 e 2017, desagregados por empresa, não foram ainda apresentados publicamente, para o Bloco este "é um indício" de que poderá existir uma "agenda escondida" por parte do Governo Regional.

Para os dirigentes do BE, em causa está o "acesso à mobilidade dos açorianos" com o exterior e, simultaneamente, o abdicar de um "ativo estratégico indispensável à região".

Já o PCP/Açores, que tem vindo a manifestar-se há vários anos contra a alienação do capital social da Azores Airlines, de forma “firme e determinada”, defende uma "avaliação do setor” dos transportes e manifesta ainda "preocupações em matérias laborais".

Quem saúda a alienação parcial da Azores Airlines são os representantes do tecido empresarial regional, a Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), que considera a decisão do Governo dos Açores como uma “estratégia positiva”, defendendo que deve ser salvaguardada a dispersão de capital para permitir o envolvimento de interesses locais.

Há vários anos que a CCIA tem vindo a defender a alienação da Azores Airlines, a par da abertura aos privados do mercado do transporte aéreo entre os Açores e o exterior, visando potenciar o turismo e a economia.

A Azores Airlines, que hoje opera para a Europa, Estados Unidos e África, fechou o último trimestre de 2017 com um prejuízo de 20,6 milhões de euros, desconhecendo-se ainda os valores totais do ano.

Está em curso um processo de privatização de até 49% da participação social indireta que a região detém na empresa.



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