Paula Rego "pertence à nossa geração"


 

Lusa / AO online   Economia   13 de Fev de 2010, 12:41

Paula Rego "pertence à nossa geração", afirmou a artista plástica britânica Tracey Emin, durante uma apresentação da exposição coletiva que ambas partilham com Mat Collishaw no Museu Foundling, em Londres.

"Apesar de ser mais velha, eu respeito-a muito e acho que ainda pertence à nossa geração", confiou na sexta-feira à agência Lusa a artista, uma das figuras dominantes do grupo dos Jovens Artistas Britânicos, a par de Damien Hirst, e do qual Collishaw também faz parte.

"Ainda tem uma forma muito jovem de olhar para as coisas. É uma mulher fantástica", justificou Emin, de 46 anos, 28 anos mais nova que Paula Rego.

Inaugurada no final de janeiro, a exposição junta pela primeira vez estes artistas no Museu, que gere a coleção de arte angariada pelo Foulding Hospital, uma instituição de caridade que recolheu e apoiou crianças abandonadas entre 1739 e 1954.

Os três são conhecidos por representarem a dor e angústia ligadas à infância, maternidade, aborto e perda, razão pela qual a comissária da exposição, Gill Hedley, os desafiou a apresentar trabalho relacionado com a história do Museu.

Uma das contribuições de Tracey Emin são pequenas reproduções em bronze de uma luva, uma meia e um pequeno urso, que foram colocadas no exterior do museu, como se fossem objetos deixados cair por crianças.

Mat Collishaw apresentou uma série de fotografias de crianças de rua indianas com cenários do século XVIII, enquanto Paula Rego mostra "Oratório", uma peça com quase três metros de altura que combina desenhos e figuras em barro.

Na composição estão representadas cenas de violação e morte e também de uma menina que oferece o seio a um bebé para dar conforto.

"Isto começou com o oratório da minha mãe, muito pequenino e com figuras", contou Paula Rego, residente há quatro décadas em Londres, à Lusa.

"O que está cá não é oratório, porque não é religioso", vincou, "mas é simplesmente uma maneira de mostrar o sentimento de afeição e ternura que se tem pelas crianças".

A pintora manifestou apreço pelo trabalho dos seus colegas de exposição, com destaque para Tracey Emin, que elogia pela simplicidade da narrativa.

"É muito mais elegante no sentido em que faz as coisas, não descreve tanto como eu faço", elogiou.

A exposição, que Paula Rego confessou ter sido uma das que mais gostou de fazer, permanece no Museu Foundling até 9 de maio.


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