Sociedade

Património português deve inspirar cidadãos a superarem a crise

Património português deve inspirar cidadãos a superarem a crise

 

Lusa/AO online   Nacional   24 de Mai de 2010, 20:36

O património arquitetónico de origem portuguesa demonstra a “inegável capacidade de realização” de um povo “com poucos recursos”, que deve inspirar os cidadãos a superarem a presente crise sem repetirem os erros da História, defendeu hoje José Mattoso.

“Recordá-lo hoje, em plena conjuntura de uma crise financeira e económica que preocupa todos os portugueses, pode, e creio que deve, servir de estímulo para congregar os esforços necessários à superação de mais este passo difícil da nossa história”, defendeu.  Há, no entanto, uma “diferença fundamental”, que não deve ser esquecida, sublinhou o historiador: “Outrora, a superação da crise europeia fez-se, em boa parte, à custa da vida de milhares e milhares de escravos. Hoje, só poderá conseguir-se pelo esforço, a solidariedade e inteligência de cidadãos livres e conscientes dos direitos humanos.” José Mattoso falava na apresentação de “América do Sul – Património de Origem Portuguesa no Mundo”, o primeiro volume do projeto da Fundação Calouste Gulbenkian, que editará mais dois, o segundo relativo a África e um terceiro sobre a Ásia e Timor-Leste.  Das fortalezas imponentes à beira mar à mais humilde das igrejas em espaço rural, o património arquitetónico construído pelos portugueses “encontra-se nos locais mais inesperados” e data desde o princípio do século XV até aos nossos dias. “Algumas reproduzem sem alterações os modelos trazidos da metrópole, como acontece com o edifício do Banco Nacional de Angola em Luanda, imagem perfeita da arquitetura do Estado Novo”, enquanto que outras “inovam ousadamente”, como o prédio do arquiteto Pancho Guedes em Maputo, designado “O leão que ri”, da década de 50 do século passado. “Temos que reconhecer que o conjunto representa a inegável capacidade de realização de um povo com poucos recursos”, frisou José Mattoso.  Responsável pela coordenação do volume dedicado à América do Sul, Renata Marcher Araújo explicou que o objetivo do inventário não foi “reunir os mais belos edifícios” ou os mais importantes, mas sim exemplos que mostrassem “o conjunto”.  Divididos por áreas territoriais, o volume dedicado à América do Sul identifica 94 lugares na costa, 56 no sul, 43 lugares no sertão e 14 na selva amazónica, sendo a arquitetura religiosa a mais representada. “Há igrejas no Brasil em quase toda a parte, algumas quase no meio do nada”, explicou.


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