Patrão Neves reafirma importância de Açores terem "lóbi forte" em Bruxelas

Patrão Neves reafirma importância de Açores terem "lóbi forte" em Bruxelas

 

Lusa/AO online   Regional   2 de Nov de 2012, 10:01

A eurodeputada social-democrata Maria do Céu Patrão Neves reafirmou esta sexta-feira a necessidade de os Açores terem um

Nas negociações em curso há cerca de um ano, envolvendo o Parlamento Europeu, a Comissão Europeia e o Conselho Europeu, uma das questões já acordadas no quadro do POSEI (programa específico para apoio às regiões ultraperiféricas da União Europeia) é um reforço de 40 milhões de euros, que será integralmente destinado ao setor da produção de banana.

“Os Açores precisam sobretudo de apoio para o leite, não para as bananas. O leite é absolutamente determinante para a economia dos Açores”, afirmou a eurodeputada, em declarações à Lusa, estimando que, na distribuição que será feita daquela verba entre as regiões ultraperiféricas de Portugal, França e Espanha, os Açores venham a receber apenas 100 mil euros.

“Ainda há quem não entenda que é preciso ter um lóbi forte em Bruxelas”, lamentou Maria do Céu Patrão Neves, alertando que “existe uma desproporção muito grande na distribuição dos 40 milhões de euros entre França, Espanha e Portugal”.

Por outro lado, salientou que França e Espanha, para salvaguardar eventuais impactos negativos dos acordos com a América do Sul, conseguiram que o reforço de verbas fosse para o setor da banana, que não é uma prioridade para os Açores.

“Não é a banana que vai salvar a economia agrária dos Açores”, afirmou, recordando que apenas duas dezenas de produtores açorianos beneficiaram até agora das ajudas do POSEI.

Para Maria do Céu Patrão Neves, não faz sentido que não exista um reforço de verbas do POSEI para o leite ou a carne, setores importantes para a economia açoriana, e a região receba dinheiro para apoiar “um setor em decréscimo”.

“Temos uma economia agrária que depende do leite e da carne e não temos reforço de verbas para esse setor, o único dinheiro novo que existe vai para as bananas”, frisou.

A eurodeputada recordou que os Açores tinham o argumento de que as nove ilhas dependem da carne e do leite, além do impacto negativo do fim anunciado das quotas leiteiras, mas não foi suficiente para conseguir um reforço de verbas para este setor.

“Precisamos de um lóbi forte em Bruxelas que possa acompanhar os dossiers importantes para os Açores”, defendeu Maria do Céu Patrão Neves, destacando as vantagens que se conseguem com uma maior proximidade aos centros de decisão.

Nos Açores existem 235 produtores de banana, dos quais 126 em S. Miguel, onde a área cultivada atinge 93,6 hectares.

A produção de banana nos Açores tem vindo a diminuir, passando de 5.320 toneladas em 2009, para 5.140 toneladas em 2010 e apenas 5.108 toneladas no ano passado.

A bananeira chegou aos Açores inicialmente como parte de coleções botânicas e só mais tarde se assumiu como uma cultura intensiva, datando de 1832 as primeiras referências à produção de banana na região.


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