Passos Coelho defende reduzir endividamento com menor dor possível

Passos Coelho defende reduzir endividamento com menor dor possível

 

Carla Dias   Nacional   9 de Jun de 2010, 17:52

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, disse hoje em Braga que o principal problema do país é da sua dívida excessiva, defendendo, por isso, que "a prioridade é reduzir o endividamento com a menor dor possível”.

O dirigente partidário lembrou que “os cortes vão doer em qualquer setor”, mas considerou-os inevitáveis “dado que a dívida foi crescendo, sobretudo após a entrada no euro”.

Passos Coelho falava na sede da Associação Industrial do Minho, durante um almoço com empresários em que participaram o líder parlamentar social democrata, Miguel Macedo, e o presidente do organismo, António Marques.

Na opinião do líder do PSD, “é inevitável agora, e quanto antes, dar um passo atrás, para depois dar dois em frente”.

“Para evitar o pânico generalizado, há que tomar medidas sem perder tempo, deixando de lado as questões ideológicas, de mais ou menos Estado”, afirmou.

Defendeu que “quase nenhum dos investimentos públicos dos últimos anos teve efeitos reprodutivos claros”, insistindo, por isso, na necessidade de “reduzir muito a despesa do Estado e usar de muito critério na escolha dos investimentos".

“Temos poucos anos para o fazer. Há que começar já”, avisou.

Para o líder do PSD, “se se quer cortar o défice de 9.4 por cento em 2009 para 2,8 em 2013, há que sanear as contas de outra forma e não apenas à custa do aumento de impostos”.

“É preciso reduzir estruturalmente a despesa do Estado através de uma reforma de fundo da administração pública e de uma gestão inteligente”, afirmou.

Considerou, ainda, que “o Governo deve prestar informações rigorosas, ser exemplo de moralização e acabar com o que se viu nos últimos anos, nas empresas do Estado, em que os salários dos gestores aumentaram de um para dois comparativamente aos do setor privado”.

Acrescentou, ainda, que “há que cortar o desperdício, nomeadamente na área social”, referindo que “as escolas e a saúde podem prestar o mesmo serviço sendo mais eficientes”.

“É possível cortar na despesa dos hospitais, em 25 por cento, sem prejudicar o serviço”, acentuou.

Sustentou que “o Estado não existe para ser gestor de empresas, existe para regular os mercados e fiscalizar o cumprimento das regras”.

Mas – frisou – “agora o Estado não pode vender todas as empresas públicas ao desbarato. Não pode haver debandada só por causa da redução do défice, mas deve haver uma saída do setor empresarial de forma bem programada”.

Defendeu, ainda, que “há que flexibilizar a legislação laboral e a lei das rendas, sob pena de se perder competitividade”.

Perante as questões dos empresários, augurou que “o futuro passa pela internacionalização para fora do espaço europeu, pois para as necessidades do país e das empresas, o volume de negócio na UE é insuficiente”.

“Não se pode ignorar que as dificuldades do acesso ao crédito são um perigo iminente. Se alguns bancos começam a cobrar spreads na ordem dos oito por cento, isso é incomportável para as pequenas empresas que querem investir. Há que ter cautela e tomar medidas”, observou.


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