Passos Coelho completa quinta-feira cinco anos como presidente do PSD


 

Lusa / AO online   Regional   22 de Mar de 2015, 10:48

Pedro Passos Coelho completa na quinta-feira cinco anos como presidente do PSD, quase quatro como primeiro-ministro de um Governo de coligação com o CDS-PP, com o qual poderá concorrer aliado às legislativas deste ano.

 

Passos Coelho é líder dos sociais-democratas desde 26 de março de 2010 - eleito pelos militantes em diretas com 61,20% dos votos, contra Paulo Rangel, Aguiar-Branco e Castanheira Barros - e foi reeleito, sem adversários, em 2012 e 2014, nunca tendo tido neste período oposição interna organizada.

É já o terceiro presidente do PSD com mais tempo nessas funções, a seguir a Cavaco Silva, que liderou o partido por quase dez anos, entre 1985 e 1995, e aproxima-se de Durão Barroso, que esteve cinco anos e meio na liderança dos sociais-democratas, entre 1999 e 2004.

Durante a sua liderança, apoiou a candidatura vencedora de Cavaco Silva a um segundo mandato como Presidente da República, no início de 2011, depois venceu as legislativas antecipadas de junho desse ano sem maioria absoluta, com 38,66% dos votos, e formou um Governo com o CDS-PP, num contexto de pós-pedido de resgate financeiro e consequente austeridade, que marcou a sua governação.

Já no poder, o PSD perdeu para o PS a maioria das câmaras do país nas eleições autárquicas de 2013 e em 2014 foi também vencido nas europeias, coligado com o CDS-PP. No plano regional, Passos Coelho viu a social-democrata açoriana Berta Cabral ser derrotada pelo socialista Vasco Cordeiro e assistiu à saída de Alberto João Jardim da presidência do PSD/Madeira, ao fim de perto de quatro décadas, que brevemente deixará também o Governo regional.

O Governo de Passos Coelho assumiu como prioridade o cumprimento das metas do programa de resgate assinado pelo executivo do PS, e também subscrito por PSD e CDS-PP, e em 2014 celebrou a sua conclusão "com sucesso", dispensando assistência adicional.

Agora, a maioria PSD/CDS-PP reclama que os sacrifícios - que incluíram "um enorme aumento de impostos" e cortes nos salários e pensões - valeram a pena e que Portugal está num "momento de viragem", com o emprego e a economia em recuperação sustentada.

A convivência com o CDS-PP liderado por Paulo Portas não foi pacífica, particularmente na primeira metade do mandato do Governo, e teve o seu pior momento na crise interna do verão de 2013, quando a coligação tremeu com o anúncio da demissão do então ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, que acabou promovido a vice-primeiro-ministro, na maior remodelação do executivo.

Recentemente, Passos Coelho foi pessoalmente visado em duas polémicas relativas à sua ligação à empresa Tecnoforma e à sua carreira contributiva enquanto trabalhador independente entre 1999 e 2004.

Tendo Miguel Relvas como "braço direito" político e apresentando-se como "um liberal", Passos Coelho candidatou-se pela primeira vez a presidente do PSD em 2008, mas ficou atrás de Manuela Ferreira Leite - hoje, uma das vozes sociais-democratas mais críticas do seu Governo.

Em 2010, candidatou-se novamente e venceu, num contexto em que o PSD estava na oposição ao executivo minoritário do PS chefiado por José Sócrates, com o qual fez dois acordos que viabilizaram medidas para reduzir o défice, incluindo aumentos de impostos e cortes salariais.

No início da sua liderança, o PSD absteve-se na votação de uma moção de censura do PCP ao Governo. Essa fase ficou também marcada por uma proposta de revisão constitucional que suscitou críticas pelas alterações aos artigos relativos à saúde e educação públicas e aos despedimentos.

Em março de 2011, Passos Coelho disse "não" a um novo pacote de austeridade apresentado pelo executivo do PS em Bruxelas, inserido no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) 2011-2014, o chamado "PEC IV", cujo chumbo pela oposição no parlamento levou o primeiro-ministro socialista a demitir-se.

Era preciso "pôr fim ao clima irrespirável" de uma "situação pantanosa" causada por um Governo incapaz de fazer reformas estruturais e sem a confiança dos mercados, considerou o presidente do PSD, em reação à demissão de José Sócrates.

Nesta meia década, o PSD teve três figuras como porta-vozes: primeiro Miguel Relvas, entre 2010 e 2011, na fase da oposição ao Governo do PS, depois Jorge Moreira da Silva, entre 2012 e 2013, e desde então Marco António Costa. Na liderança parlamentar estiveram Miguel Macedo, no tempo da oposição ao Governo do PS, e Luís Montenegro, nos últimos quatro anos.

Com Passos Coelho como líder, estrearam-se como dirigentes nacionais do PSD e deputadas Teresa Leal Coelho e Nilza Sena. Outro novo rosto na vida política nacional foi Maria Luís Albuquerque, escolhida por Passos Coelho para cabeça de lista em Setúbal nas legislativas de 2011, depois para secretária de Estado e mais tarde ministra de Estado e das Finanças.



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