Passos Coelho aponta défice de 9,5% e diz que não vale a pena chorar por falta de consenso

Passos Coelho aponta défice de 9,5% e diz que não vale a pena chorar por falta de consenso

 

Lusa / AO online   Nacional   20 de Nov de 2010, 17:57

O presidente do PSD estimou hoje que a dívida pública e o défice são muito superiores aos “números fictícios” do Governo e considerou que “o pior que pode acontecer é invocar a necessidade” de um consenso partidário “para não fazer nada”.

Falando no encerramento de um encontro do GenePSD, responsável pela revisão do programa do Partido Social Democrata, em Lisboa, Pedro Passos Coelho considerou que “o facto de o Estado, de há muitos anos a esta parte, ter vindo a desorçamentar uma série de atividades, tornou boa parte dos nossos números fictícios”.

O líder social-democrata sublinhou que “na verdade, a dívida pública é muito maior” que 82 por cento do PIB este ano e cerca de 90 por cento em 2011, “só que não vem nas contas”.

“Esquecemo-nos de juntar a essa dívida aquela que está nos passivos das empresas públicas, bem como aquela que resultará do impacto orçamental anual de todas as parcerias público privadas que fomos realizando ao longo destes anos e que para já não têm custos, mas que a partir de 2014 vão ter um custo que pode chegar a muito perto de dois por cento do produto todos os anos”, referiu Passos Coelho.

O presidente do PSD aponta números muito superiores aos do Governo socialista.

“Esta é a verdade hoje: 112 por cento de dívida pública, 9,5 por cento de défice, PIB potencial de 0,5 por cento. Não há capacidade para criar emprego, não há dinamismo na economia. Bom, só pode melhorar”, disse, motivando risos entre a audiência.

O partido deve “fazer tudo” para inverter estes números, mas Passos Coelho afasta a possibilidade de um consenso.

“Se o pudéssemos fazer em consenso partidário, isso seria excelente, porque dava ao país um horizonte de estabilidade das principais políticas muito maior. Mas nós temos de ser pragmáticos e realistas, não podemos ficar a chorar quando não existe esse consenso. O pior que pode acontecer é invocar a necessidade de um consenso para não fazer nada, e portanto nós vamos ter de dar o nosso contributo para essa mudança”, sustentou.

Passos Coelho aponta desde já um prazo para ultrapassar estes dados.

“Estamos convencidos que em duas legislaturas, em oito, dez anos, somos capazes - não é só o PSD, somos capazes o país -, de mudar estes dados atuais, de inverter esta situação”, disse o líder.

Para tal, sustentou, “basta remover alguma demagogia do caminho e traçar um caminho de que não nos desviemos”.

Para Passos Coelho, a sociedade espera que os políticos “não se percam nos meandros do curto prazo e saibam traçar objetivos a mais largo prazo, e depois aceitem ser responsabilizados por eles, mas não no fim, que pode ser muito tarde”.

“Temos sempre a possibilidade de substituir os nossos gestores e os nossos políticos. Temos de criar períodos de responsabilização intercalares”, nomeadamente através de avaliações anuais das políticas.

À saída do encontro, o presidente do PSD escusou-se a comentar as declarações do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, sobre a necessidade de baixar os salários também nos privados, afirmando que “tem havido declarações que cheguem sobre o que está a passar em Portugal”.


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