Passos atribui novo desvio de mil milhões a receitas não realizadas

Passos atribui novo desvio de mil milhões a receitas não realizadas

 

Lusa/AO online   Nacional   14 de Out de 2011, 14:14

O primeiro-ministro atribuiu hoje o novo desvio orçamental de mil milhões de euros a receitas que não serão realizadas, nomeadamente na concessão de jogo, negando que a necessidade de novas medidas seja consequência do efeito recessivo das já tomadas

Questionado durante o debate quinzenal na Assembleia da República pelo líder BE, Francisco Louçã, sobre que "desculpa" apresenta para justificar o novo desvio orçamental de mil milhões de euros, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, adiantou que o orçamento que o Governo tem um orçamento para executar no segundo semestre de 2011 que "inclui receitas que simplesmente não serão realizadas"

"Elas estimam, pelo menos, mil milhões de euros. Respeitam a valores que foram construídos para concessões de jogo, para atribuição de novas capacidades de bombagem nas barragens, para a atribuição de potência fotovoltaica que totalizam quase mil milhões de euros", afirmou Passos Coelho, precisando que de acordo com a informações que dispõe, "com as opções que podem ser tomadas, não é realizável que esta previsão que se encontrava inscrita no Orçamento do Estado possa ser cumprida".

O primeiro-ministro rejeitou ainda a afirmação de Francisco Louçã que a necessidade de mais dois milhões de euros seja efeito da quebra das receitas fiscais em consequência das medidas já tomadas, garantindo que "não incluem qualquer efeito recessivo de novas medidas",

"Não estamos a dizer que precisávamos de mais dois mil milhões de euros para fechar o défice porque há uma quebra endógena que é provocada pelas medidas que estamos a adotar", assegurou Passos Coelho.

Os dois mil milhões de euros que foram pedidos "com imenso sacrifício para todos os portugueses" que pudessem ser alcançadas no próximo ano "não resultam de qualquer quebra da receita endógena, além daquela que já estava prevista e que foi agravada com as condições de financiamento", acrescentou.

Já depois de ser confrontado por Francisco Louçã que os três ‘items' que enumerou não totalizam mil milhões de euros, o primeiro-ministro deu-lhe razão, alegando que se tinha "esquecido" de acrescentar que "há 300 milhões de venda de património do Estado que é absolutamente inconcretizável".

Mais tarde, Passos Coelho apontou ainda o caso dos juros que vão ser enfrentados pela área pública no próximo ano, sublinhando que "eles crescem além do que estava previsto cerca de 820 milhões de euros".

"Duzentos sobre a dívida direta do Estado, 270 sobre as quatro empresas publicas que passam a consolidar no perímetro do Estado, e 350 milhões devidas pelos dois veículos que foram criados no passado para as carteiras de crédito do BPN", referiu.

Ou seja, frisou, são "820 milhões de juros novos" que terão de ser enfrentados no próximo ano.


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