Partilhar um táxi pode reduzir custo da viagem em 25 por cento

Partilhar um táxi pode reduzir custo da viagem em 25 por cento

 

Lusa / AO online   Economia   11 de Jul de 2010, 12:58

Partilhar um táxi pode custar menos 25 por cento aos passageiros e reduzir o tempo de espera, garante o especialista em transportes José Manuel Viegas, defendendo que o conceito é “exportável” e pode surgir no mercado a curto prazo.

Os resultados preliminares do estudo sobre táxis partilhados, que tem estado a ser desenvolvido por investigadores do Instituto Superior Técnico (IST), vão ser apresentados, quinta feira, na conferência mundial de investigação em transportes, e permitem concluir que é possível obter poupanças significativas.

Um sistema que abrangesse cerca de 30 por cento da frota atual de táxis da cidade de Lisboa permitiria poupar 16 por cento relativamente ao preço médio pago por passageiro na hora de ponta e oito por cento fora da hora de ponta.

Mas o professor do IST José Manuel Viegas acredita que será fácil atingir uma poupança de 25 por cento, se houver aumento da procura.

As simulações deste sistema são feitas em computador com um programa que procura, em tempo real, o táxi mais próximo do local de embarque do passageiro, e traça um percurso até ao seu destino final.

Pelo caminho, poderão ser recolhidos outros passageiros com percursos semelhantes, sendo que cada um pagará apenas os quilómetros percorridos.

“Se for só um passageiro paga cem por cento da viagem. Se entrar outro, cada um paga 60 por cento, se entrar mais alguém, cada um paga 45 por cento. O preço que cada um paga varia sempre em função de quantos clientes viajam”, explicou o consultor da área de transportes.

Por isso, adianta, o pagamento não poderá ser feito em dinheiro: “Terá de se feito com cartão para fazer as contas de forma rápida e facilitar as entradas e saídas”.

O ideal seria também “veículos de porta mais alta, tipo monovolume”, para que os passageiros pudessem entrar e sair rapidamente.

Por outro lado, o sistema conduz também a um aumento de receita dos taxistas, porque quando o táxi viaja com dois clientes, o operador tem uma receita de 120 por cento e com três passageiros arrecada 135 por cento.

Além disso, prevê-se que o tempo de espera médio por um táxi na cidade de Lisboa seja reduzido de cinco para dois minutos.

José Manuel Viegas adianta que “esta melhoria do funcionamento do sistema obtém-se somente com um aumento médio por passageiro de 1,3 quilómetros no percurso e de 6,2 por cento em tempo para viagens inferiores a 30 minutos”.

É necessário agora fazer “um conjunto mais vasto de simulações” para avaliar a elasticidade da procura e as resistências comportamentais.

“O motorista terá de ser o garante do bom comportamento a bordo”, sublinhou o professor.

José Manuel Viegas apontou algumas vertentes que importa afinar, como a questão tecnológica e regulamentar, mas admite que o sistema pode estar pronto para o mercado dentro de um ano ou ano e meio.

“Eventualmente, depois poderia ser aberto um concurso para os taxistas que estivessem interessado em aderir”, sugeriu.

O especialista acrescentou que o conceito “tem imenso potencial “ e é “altamente exportável”, desde que seja vendido com uma componente tecnológica versátil, para ser compatível com outros sistemas.


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