Partidos esperam que governos da República e da região "enterrem machado de guerra"

Partidos esperam que governos da República e da região "enterrem machado de guerra"

 

lusa   Nacional   28 de Fev de 2010, 11:50

Todos os partidos madeirenses esperam que a reunião de segunda feira entre José Sócrates e Alberto João Jardim signifique um definitivo "enterrar do machado de guerra" nas relações entre os governos da República e da região mas nem todos acreditam nessa possibilidade.

O próprio presidente da Madeira garantiu sábado que não voltará a falar "sobre machados ou enxadas".

"Os machados e enxadas que eu preciso são para reconstruir os pontos afetadas Madeira", sublinhou, dizendo "fazer fé na palavra do primeiro ministro e esperar que a solidariedade do executivo da República com a região continue".

Contactado pela Lusa, o líder do PS/Madeira, Jacinto Serrão, considerou "sinal claro" da solidariedade de José Sócrates a sua deslocação à ilha no dia seguinte à catástrofe.

"O presidente do Governo Regional tem dado declarações nos últimos dias dizendo que enterrou o machado de guerra que ergueu este tempo todo. Esperemos que o faça definitivamente e que consiga uma nova atitude de respeito democrático e de relação adulta", acrescentou.

Também em declarações à Lusa, José Manuel Rodrigues, líder do CDS/Madeira, considerou que "Deus escreve direito por linhas tortas" e que "a tragédia vai permitir sentar à mesma mesa dois governos que se guerrearam durante cinco anos".

"Congratulo-me com isso, lamento apenas que tenha sido necessária uma tragédia para isso", disse, considerando "preferível que no passado o diálogo tivesse acontecido, porque quem sai prejudicado com os radicalismos é a população mais fraca".

Edgar Silva, da CDU, disse à Lusa que "a postura de diálogo de Alberto João Jardim está garantida enquanto tiver expetativas de contrapartidas financeiras para a região" e considerou que "o Governo da República, depois da má figura na questão da Lei de Finanças Regionais, tem tudo a ganhar se assumir compromissos de ajuda à Madeira".

"Tememos é que neste processo o apoio à reconstrução possa fazer esquecer os deveres do Governo da República em relação àquela lei, cuja revisão foi aprovada no Parlamento, dando com uma mão e tirando com a outra", acrescentou.

Roberto Almada, do BE, considerou que "este súbito enterrar do machado de guerra é bom para os portugueses da Madeira, que têm sofrido com a situação de guerrilha".

"Seria benéfico porque permitiria apoiar as populações que tanto perderam nestes dias, mas esperemos para ver", disse.

José Manuel Coelho, do PND, considerou que Alberto João Jardim, "que tanto falava de barriga cheia", vai agora assumir "o diálogo e a arte de bem conversar", porque "precisa do Governo da República".

O deputado regional defendeu "o fim deste guerrear desnecessário com a República, porque tem de haver solidariedade nacional. Temos de ser mais humildes. Se precisamos deles, porque é que temos de ser arrogantes?", acrescentou.

João Isidoro, do MPT, disse "querer acreditar que a partir de agora será um novo tempo e haverá um novo relacionamento entre o Estado e a Região. É do interesse de ambas as partes que assim seja".

"Acima de tudo deve respeitar-se o valor da solidariedade e criar-se uma relação racional na defesa dos interesses do Estado e da Região, com respeito mútuo institucional", frisou


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