Parlamento recusa estudo sobre transporte marítimo de mercadorias nos Açores

Parlamento recusa estudo sobre transporte marítimo de mercadorias nos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   15 de Abr de 2016, 12:06

O parlamento dos Açores chumbou hoje um projeto de resolução, do CDS-PP, que recomendava ao Governo Regional, do PS, a elaboração de um estudo sobre um modelo alternativo de transporte marítimo de mercadorias no arquipélago.

 

O documento, apresentado pela deputada centrista Graça Silveira no plenário parlamentar que decorre na Horta, ilha do Faial, contou com os votos favoráveis também do PCP, BE, PPM e PSD, mas foi rejeitado pela maioria socialista na Assembleia Legislativa dos Açores.

Graça Silveira afirmou que “a economia açoriana está estrangulada pelos transportes, sucedendo-se as queixas” dos “empresários sobre as dificuldades que sentem quanto ao escoamento dos produtos da pesca, da agricultura e da pecuária”.

“Ora, por falta de capacidade de carga, ora porque os horários não estão devidamente articulados, ora porque simplesmente o navio não escala e os produtos perecíveis ficam a apodrecer em cima do cais ou nos terminais de carga”, adiantou.

Para os centristas, “não sobram quaisquer dúvidas de que um modelo de transportes marítimos que resolva as questões logísticas das mercadorias inter-ilhas e entre estas e o continente português é seguramente o investimento com maior retorno para a economia da região”.

“O Governo Regional dos Açores afirma que o atual modelo, em que a cabotagem insular é realizada por três operadores (a Transinsular, a Mutualista e a Boxline) que, supostamente, fazem o transporte direto do continente à ilha de destino é economicamente viável, uma vez que não é subsidiado”, referiu a parlamentar Graça Silveira.

Segundo o CDS-PP, “a carga trazida por estas empresas não vai diretamente a todos os portos de destino, sendo parte desta descarregada no porto de Ponta Delgada e é distribuída por um dos operadores que é subcontratado pelos outros”.

Para Graça Silveira, “de pouco ou nada servem os subsídios, apoios e incentivos, quer ao escoamento dos produtos açorianos, quer à importação de fatores de produção, se a rede de transportes não for capaz de dar garantias de uma resposta eficiente”.

Jorge Macedo (PSD) desafiou o PS a explicar qual é o medo de rejeitarem a realização do estudo, enquanto Paulo Estêvão (PPM) acrescentou que os agentes do setor dizem para estudar esta situação porque “há muitas deficiências e há um enorme potencial que não está a ser aproveitado”.

Por seu turno, Zuraida Soares (BE) defendeu que “quanto mais fundamentado for um modelo, melhores resultados” haverá a favor “das pessoas e do erário público”, e Aníbal Pires (PCP) referiu que qualquer eventual alteração ao modelo atual “deve garantir uma redução de custos” e que “não há redução de frequências para qualquer uma ilhas”.

A secretária regional adjunta da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Isabel Rodrigues, declarou que “não se trata de medo, mas de oportunidade” e que o modelo em vigor “serve bem a região, é abrangente e consagra um conjunto de princípios essenciais e que o Governo Regional não pretende abdicar”, como a igualdade de custo ou “um tratamento igual para as nove ilhas”.

 

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