Parlamento homenageia Djuta Ben-David


 

Lusa/AO online   Regional   17 de Jun de 2015, 15:17

O parlamento dos Açores homenageou esta quarta-feira a cantora cabo-verdiana Djuta Ben-David, que morreu no domingo passado e vivia na ilha de São Miguel desde a década de 1950.

 

Os deputados da Assembleia Legislativa Regional aprovaram por unanimidade dois votos de pesar pelo falecimento da artista, propostos pelo PS e pelo PSD e nos quais é reconhecido o contributo de Djuta Ben-David para a sociedade e cultura locais.

"Com a morte de Justina Silva, amplamente conhecida entre nós como Djuta Ben-David, os Açores perderam, no pretérito domingo, uma respiração e uma voz que muito ajudaram a moldar, neste passado recente das nossas ilhas, em especial de São Miguel, as múltiplas tonalidades de que se tece a nossa cultura", lê-se no texto proposto pelo PS e lido no plenário regional pela deputada Renata Correia Botelho.

O mesmo texto refere que a artista "abraçou como se fosse a sua própria terra" a ilha de São Miguel, onde deixou "marcas indeléveis" na comunidade imigrante "mas, e sobretudo, na comunidade açoriana em geral".

Também o voto proposto pelo PSD, e lido pelo deputado José Andrade, sublinha que Djuta Ben-David se tornou "parte integrante e estimada" da sociedade açoriana e que sua casa em Ponta Delgada era uma "verdadeira embaixada" de Cabo Verde em São Miguel.

Djuta Ben-David era também, segundo o mesmo texto, um "símbolo da imigração" nos Açores e da "acarinhada comunidade cabo-verdiana" em Ponta Delgada.

Justina Silva (mais conhecida por D. Djuta) nasceu no Mindelo, ilha de S. Vicente, Cabo Verde, mas imigrou com o marido, Henrique Ben-David, antigo treinador da equipa de futebol do Santa Clara, para a ilha de S. Miguel, nos Açores, em meados da década de 50 do século XX, onde viveu até morrer.

D. Djuta começou a tocar e a cantar aos dez anos. Aos vinte, o irmão Adolfo chamou-a para Lisboa, onde se tornou cantora profissional e formaram o duo "Irmãos Silva", que atuou em Portugal durante seis anos, cantando música cabo-verdiana, ainda pouco conhecida e apreciada na época, e também brasileira.

Em sua homenagem, a Associação de Imigrantes dos Açores (AIPA) criou em 2006, em parceria com o Governo Regional, o Prémio de Jornalismo Djuta Ben-David, para distinguir a melhor reportagem sobre a imigração no arquipélago.

A atribuição do prémio acabou por ser suspensa quatro edições, mas o presidente da AIPA, Paulo Mendes, disse esta semana à Lusa que pondera retomá-lo, em homenagem à cantora, que "representou e representa para a comunidade cabo-verdiana a ligação entre os Açores e Cabo Verde" e é "um exemplo de integração" na sociedade açoriana, pela forma como "conseguiu ganhar o respeito e admiração de todas as pessoas".


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