Parlamento exige medidas preventivas para evitar carcaças de má qualidade nos matadouros dos Açores

Parlamento exige medidas preventivas para evitar carcaças de má qualidade nos matadouros dos Açores

 

Lusa/AO Online   Regional   16 de Set de 2015, 05:58

O Parlamento açoriano aprovou na terça-feira, por unanimidade, um projeto de resolução do CDS que recomenda ao Governo a adoção de medidas preventivas que permitam reduzir o número de carcaças de má qualidade abatidas nos matadouros da região.

 

"A conjugação do aroma, do sabor e da suculência com a ternura são expectativas sensoriais que o consumidor deseja satisfazer ao consumir carne de bovino dos Açores", recordou a deputada do CDS, Graça Silveira, na apresentação do projeto, durante o plenário da Assembleia Regional na noite de terça-feira.

Segundo explicou, estas expectativas são, por vezes, goradas, porque se tem registado "um número indesejável de carcaças que apresentam um defeito de qualidade altamente penalizador", denominadas de carcaças DFD (Dark, Firm, Dry), ou seja, escura, rija e seca, e como tal, pouco atrativa para o consumidor.

O CDS recorda que a "elevada incidência" de carne DFD em carcaças abatidas nos Açores levou a que uma importante cadeia nacional de distribuição a retalho tenha devolvido à procedência "várias carcaças devido a valores de PH demasiado elevados".

"Esta incidência da carne DFD contribui para uma má imagem da qualidade da carne dos Açores, mas mais grave, penaliza os produtores pelas perdas económicas resultantes da devolução das carcaças, os quais são alheios a esta situação", lamentou Graça Silveira.

O CDS exige, por isso, que o Governo identifique os fatores que dão origem a estas carcaças de má qualidade, que crie medidas para reduzir estes casos e que apresente no Parlamento um relatório, dentro de 90 dias, sobre as medidas adotadas.

Apesar de a proposta do CDS ter sido aprovada por unanimidade, o Governo dos Açores garante que os matadouros da região cumprem "todos os padrões de qualidade" no abate de animais e que os casos "residuais" de inferior qualidade "não colocam em causa a segurança dos consumidores", já que não se trata de um problema sanitário.

"O Governo dos Açores irá continuar a desencadear todos os mecanismos necessários junto de produtores, matadouros e comerciantes, no sentido de garantir boas práticas e proporcionar todas as condições à fileira da carne para que obtenha os melhores resultados, nomeadamente através do investimento público em curso na rede de abate regional", sustentou Neto Viveiros, secretário regional da Agricultura.

O governante anunciou que estão previstas investimentos avultados em quatro matadouros da Região, mas lembrou que as condições de maneio final dos animais, de transporte até ao matadouro e de abegoaria "constituem fatores que podem influenciar o bem-estar dos animais" e, por consequência, provocar alterações à cor, textura e durabilidade da carne.

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