Parlamento dos Açores pede a Lisboa "plano de emergência" para a Terceira

Parlamento dos Açores pede a Lisboa "plano de emergência" para a Terceira

 

Lusa/AO online   Regional   16 de Jan de 2015, 14:59

O parlamento aprovou, por unanimidade, um pedido ao Governo da República para ser criado um "plano de emergência" para a ilha Terceira que mitigue o impacto da redução do contingente militar norte-americano nas Lajes.

 

No texto da resolução, que foi, inicialmente, uma iniciativa do BE a que se juntaram todos os partidos, lembra que serão despedidos 500 portugueses que trabalham na Base das Lajes, para a Força Aérea norte-americana, até ao final do ano.

O parlamento açoriano pede a Lisboa um "plano de emergência" que minimize na economia da ilha Terceira os efeitos desta redução imediata de postos de trabalho, sugerindo "medidas que reforcem a proteção no desemprego, o aumento do investimento público na ilha Terceira" e "condições excecionais para incrementar o investimento privado".

A deputada do BE, Zuraida Soares, sublinhou que, neste momento, deve haver "verdadeiro consenso" em torno das pessoas que vão ficar sem trabalho.

No entanto, disse não poder deixar de apontar o "comportamento vergonhoso para com os Açores" de sucessivos governos da República e, em especial, do atual primeiro-ministro, Passos Coelho, que quando esteve na região, no ano passado, revelou não fazer "a mínima ideia" do que são as Lajes e do "problema económico e social" associado à decisão dos Estados Unidos da América (EUA).

O líder da bancada socialista, Berto Messias, pediu, por seu turno, que o Governo nacional tenha uma "posição clara e firme" perante os EUA, considerando que agora a "grande prioridade é a questão laboral".

Berto Messias lembrou, ainda, que no passado o Governo português acudiu ao Vale do Ave, numa situação de deterioração laboral, ou à Madeira, perante a catástrofe das enxurradas, para pedir medidas semelhantes para a Terceira.

Pelo PSD, Duarte Freitas sublinhou que é preciso continuar a pressionar os EUA, agora não tanto para tentar alterar a decisão de diminuir a presença nos Açores, mas para que Washington acione "compensações".

Duarte Freitas afirmou que o esforço diplomático, dos governos nacional e regional, e dos representantes políticos da comunidade portuguesa nos EUA, conseguiram adiar a redução norte-americana durante dois anos e assim "ganhar algum tempo", dizendo estar convencido e "certo" de que o executivo da República preparou neste tempo medidas que agora avançarão, como aconteceu a nível da região.

Artur Lima, do CDS-PP, concordou que deve haver consenso nesta questão, mas disse que "os responsáveis" não podem deixar de ser apontados, lamentando a "política do bombeiro" de anos e em que "passo a passo" se foram fazendo cedências perante os EUA.

O deputado repartiu culpas pelos governos dos Açores e da República e, neste último caso, disse que, "muitas vezes, colocaram os interesses da Defesa, do Ministério da Defesa, os interesses dos militares, acima dos interesses dos Açores e dos açorianos".

Aníbal Pires, do PCP, disse que os comunistas continuarão a defender "o interesse regional" e considerou que o Estado português "tem alavancas negociais para poder fazer regredir" ainda a decisão norte-americana. E se isso não acontecer, os Açores têm de "ser ressarcidos" pelos EUA, acrescentou.

Paulo Estêvão, do PPM, defendeu que Portugal deve fazer "um ultimato" aos EUA e dizer que, nestas circunstâncias, os militares norte-americanos devem deixar totalmente os Açores.


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