Parlamento aprova voto de pesar pela morte de Mário Soares

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Assembleia da República

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O parlamento aprovou hoje por unanimidade um voto de pesar pela morte de Mário Soares, assinalando o "legado de coragem política, patriotismo democrático e de abertura ao mundo" do ex-Presidente da República, falecido no sábado aos 92 anos.
 

 

O voto foi proposto pela mesa da Assembleia da República e pelo seu presidente, Eduardo Ferro Rodrigues, sendo aprovado com os votos favoráveis do PSD, PS, CDS-PP, BE, PCP e PEV e do deputado único do PAN, na sessão de homenagem em plenário.

No final da votação, todas as bancadas parlamentares e a do Governo levantaram-se e aplaudiram de pé. A bancada do PCP também se levantou mas não aplaudiu.

Nas galerias, os convidados, a família também se juntaram aos aplausos.

A seguir, cumpriu-se um minuto de silêncio.

"Se hoje Portugal se distingue na Europa e no Mundo pelo seu grau de coesão nacional, muito o deve ao contributo liderante de Mário Soares. O sentimento de perda é assim acompanhado por um sentimento de gratidão eterna", lê-se no texto.

O voto descreve o percurso político e cargos ocupados por Mário Soares antes e depois do 25 de Abril de 1974, destacando o seu "legado de coragem política, de patriotismo democrático e de abertura ao mundo".

"Se a política era a vocação de Mário Soares, a liberdade era a sua causa", sublinhou Ferro Rodrigues, frisando que o estadista "lutou até ao fim" num percurso em que, disse, "cometeu erros".

"Cometeu erros, certamente, mas sempre entendeu a política democrática como uma atividade apaixonante, feita de vitórias mas também de derrotas, assente em escolhas claras e convicções fortes", refere o voto de pesar.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.