Parceiros sociais acusam Governo de destruir estado social


 

Lusa/AO online   Economia   20 de Nov de 2012, 09:02

Os parceiros sociais acusaram esta terça-feira o Governo de querer destruir o estado social e consideram que está em marcha um ataque generalizado aos trabalhadores.

"O que está em marcha, neste momento, é a maior ofensiva jamais desencadeada contra as funções sociais do Estado: estamos a falar do acesso à educação e à segurança social", disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, à entrada para uma reunião em sede de concertação social, que decorre desde as 9:00 (hora de Lisboa), no Conselho Económico e Social (CES).

As declarações de Arménio Carlos surgem na sequência das declarações proferidas na segunda-feira pelo ministro das Finanças, Vitor Gaspar, a propósito da sexta avaliação da 'troika' (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) ao programa de ajustamento português.

O sindicalista criticou também o anúncio feito por Gaspar a propósito do alargamento da mobilidade especial a todos os setores da Função Pública, uma preocupação igualmente partilhada por João Proença, secretário-geral da UGT.

No entanto, a tónica das críticas de ambas as estruturas sindicais prendem-se com o corte de 4 mil milhões de euros nas funções do Estado.

"O Governo continua a usar a 'troika' para fazer um ataque generalizado aos trabalhadores. A medida de 4 mil milhões de euros não foi proposta pela 'troika', foi proposta pelo Governo português", afirmou João Proença.

E reiterou: "A medida de corte de 4 mil milhões de euros até fevereiro foi proposta pelo Governo, é isto que o Governo não afirma aos portugueses que é a sua intenção de querer destruir o estado social".

Já o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, sublinhou, por seu turno, que "a economia não funciona".

"O grande problema é que por mais voltas que se deem não há poder de compra, as empresas não vendem e muitas vezes produzem mais do que precisam. Esse é que é o problema de fundo dos erros estruturais do chamado plano de ajustamento, que não previu o ajustamento das PME [Pequenas e Médias Empresas]", acusou Vieira Lopes.

Relativamente ao 'lay off' (redução ou suspensão da atividade de uma empresa), temas que hoje estão em discussão, Vieira Lopes afirmou que "podem ajudar, mas não são o essencial. A economia vai continuar a sofrer".

Presentes neste encontro, para além dos parceiros sociais, estão os ministros da Agricultura, Assunção Cristas, e da Solidariedade e da Segurança Social, Pedro Mota Soares.


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