Papa vai falar para toda a Ásia, na visita à Coreia do Sul

Papa vai falar para toda a Ásia, na visita à Coreia do Sul

 

Lusa/AO online   Internacional   13 de Ago de 2014, 16:42

O papa Francisco "vai falar para todos os países do continente", num mensagem para "o futuro da Ásia", declarou o "número dois" do Vaticano, o secretário de Estado, Pietro Parolin

Numa entrevista ao Centro Televisivo do Vaticano (CTV), o cardeal italiano responsável pela diplomacia sublinhou que "esta visita do papa ao Extremo Oriente tinha especial importância" dado o papel desta região "na política e na economia mundiais".

Durante a visita à Coreia do Sul, para a qual parte hoje Francisco, o papa vai falar "para todos os países do continente", disse.

Ao ir ao encontro dos jovens asiáticos reunidos para a sexta Jornada da Juventude Asiática, é "ao futuro da Ásia" que o papa quer falar, sublinhou Parolin, na entrevista realizada na terça-feira à noite.

Até agora, o "caminho do Evangelho na Ásia não tem sido tão rápido quanto se poderia esperar", e os católicos são apenas 3,2% dos habitantes do continente, acrescentou.

O cardeal disse esperar que esta visita favoreça "a abertura de espaços de comunicação e de diálogo" com os vizinhos da Coreia do Norte.

"A esperança do Vaticano" é a reconciliação entre as duas Coreias. A península "é ainda atravessada por várias tensões", daí a necessidade de paz, sublinhou.

"Penso que a viagem do papa vai ajudar neste sentido, para continuar esta obra de solidariedade relativamente aqueles que precisam", afirmou.

A viagem do papa corresponde a uma prioridade do Vaticano, já que Francisco quer apoiar as Igrejas minoritárias, mas dinâmicas na Ásia, objetivo estratégico da Igreja católica, sem esquecer a vasta China.

A aproximação à China comunista era uma prioridade de Bento XVI, e é agora de Francisco, após décadas de perseguição dos cristãos sob Mao Tsé-tung.

Enquanto o consumismo ocidental transforma a imensa China, catolicismo e protestantismo renascem, mas os cultos são controlados, e muitas vezes proibidos. O regime apoia uma Igreja oficial, que nomeia responsáveis sem a autorização do papa, contra um Igreja clandestina, obediente ao Vaticano.

Em 2007, Bento XVI propôs um diálogo ao regime comunista. Em 2013, Francisco felicitou o presidente Xi Jinping por ter sido eleito. Xi respondeu ao papa.

Apesar de não se ter registado qualquer progresso, um pequeno sinal surgiu: pela primeira vez, um papa foi autorizado a sobrevoar a China.

Francisco elogiu na exortação "Evangelii Gaudium" (2013), texto de base do pontificado, a possibilidade de o cristianismo se implantar em qualquer cultura.

De acordo com o vaticanista Sandro Magister, o papa poderá anunciar, em breve, a beatificação do jesuíta italiano Matteo Ricci (1552-1610), missionário na China e desacreditado pelo Vaticano, devido à sua abertura cultural.


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