Papa recorda mártires de "ideologias loucas" e fala de imigração

Papa recorda mártires de "ideologias loucas" e fala de imigração

 

Lusa/Açoriano Oriental   Internacional   22 de Abr de 2017, 18:16

O papa Francisco recordou a mulher de um refugiado assassinada por ser cristã, às mãos de terroristas, e denunciou a situação dos imigrantes, numa missa dedicada aos mártires das "ideologias loucas" do século passado e do atual.

 

Francisco recordou que, na sua viagem à ilha grega de Lesbos, em abril de 2016, conheceu um muçulmano de cerca de 30 anos, com três filhos, que o saudou e lhe contou que os terroristas tinham degolado a sua mulher por ser cristã e não querer renunciar à sua fé.

“Olhou-me e disse-me: ‘Padre, eu sou muçulmano, a minha mulher era cristã, e no nosso país os terroristas degolaram-na. Perguntaram-nos qual a nossa religião. Viram o crucifixo e pediram-lhe que o tirasse. Ela não quis e degolaram-na na minha frente'”, recordou o papa.

Com ar triste, Francisco admitiu que desconhece se o homem, tal como os seus filhos, continua no acampamento ou se, ao contrário, “foi capaz de sair desse campo de concentração”.

“Os campos de refugiados – muitos - são de concentração, pela quantidade de pessoas amontoadas ali. As populações generosas que os acolhem devem ter isso em conta. Os acordos internacionais parecem ser mais importantes do que os direitos humanos”, referiu.

O papa disse que aquele homem, de quem não soube mais nada, “não guardou rancor” e como muçulmano “tinha essa cruz de dor que levava consigo sem rancor”, refugiado “no amor da sua mulher”.

Este foi um discurso de improviso à margem da homilia que tinha preparada e na qual denunciou a perseguição a muitas comunidades cristãs “pelo ódio” promovido pelo diabo.

A missa foi promovida pela Comunidade Sant'Egídio e realizou-se na basílica romana de S. Bartolomeu, na ilha do rio Tibre, em plena Roma, que desde 2002, por desejo de João Paulo II, recolhe o testemunho dos mártires contemporâneos.

Nas suas capelas pode recordar-se os cristãos que morreram pela fé em Cristo durante os séculos XX e XXI, como os sacerdotes assassinados na guerra civil espanhola ou os que morreram às mãos dos regimes nazi e comunista.

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