Papa Francisco promete "severidade" para combater pedofilia na Igreja


 

Ao/Lusa   Internacional   13 de Jul de 2014, 11:17

O papa Francisco prometeu afrontar com toda a "severidade" os casos de pedofilia no seio da Igreja católica, que classificou de "lepra", numa entrevista publicada domingo no diário italiano "La Repubblica".

 

O chefe da Igreja católica, que também se referiu à mafia e ao celibato dos padres, disse que os casos de pedofilia são "frequentes" na sociedade atual, perpetrando-se estes "abomináveis" delitos, em consequência, entre outros aspetos, do desaparecimento de educação nas casas e nas famílias.

"A corrupção de um menor é o mais terrível e imundo que se pode imaginar e especialmente se, como demonstram as informações que pude examinar pessoalmente, grande parte destes atos abomináveis ocorrem no seio de famílias e amigos", assinalou.

Francisco afirmou que este problema afeta a Igreja católica, como se tratasse de uma doença infecciosa, como foi a "lepra".

O papa manifestou preocupação pelas estatísticas disponibilizadas por alguns dos seus colaboradores, que indicam que a pedofilia poderia afetar dois por cento da Igreja.

"Considero gravíssimo. Estes dois por cento de pedófilos podem incluir bispos e cardeais. Além disso, outros conhecem estes casos e calam-se. Face a esta situação insustentável, é minha intenção a afrontar com toda a severidade que ela requer", disse.

Na passada segunda-feira, durante uma missa no Vaticano, com a presença de seis vítimas destes delitos, o papa pediu "perdão pelos pecados de omissão" cometidos por líderes da Igreja em relação aos abusos sexuais.

"Humildemente, peço perdão!", disse o papa, admitindo que os líderes da Igreja "não responderam adequadamente às denúncias de abuso apresentadas por familiares e por aqueles que foram vítimas do abuso".

Outro dos assunto que Francisco abordou na entrevista ao jornal italiano foi o crime organizado, o qual disse conhecer "a fundo", assim como referiu estar consciente dos delitos que cometem os mafiosos e os "enormes interesses" que têm.

Francisco recordou João Paulo II e o "aplaudido" e histórico discurso em que exortou os mafiosos a "converterem-se", pronunciado no vale dos Templos de Agrigento, no sul da Sicília, em 1993, a época mais sangrenta entre clãs.

Segundo disse, as mafias também constituem um problema da Igreja e recuperou o polémico episódio de 02 de julho na localidade de Oppido Mamertina, na Calábria, em que uma procissão com a imagem da Virgem das Graças se deteve e se inclinou, em sinal de homenagem, em frente à casa de um mafioso condenado a pena de prisão perpétua, que cumpre na sua residência devido a problemas de saúde.

"A nossa denúncia da máfia não será um ato isolado, será constante. Pedofilia e máfia: a Igreja, o povo de Deus, os sacerdotes e as comunidades têm estas duas importantíssimas questões entre as suas tarefas", disse.

Por último, o Bispo de Roma também se referiu ao celibato entre os sacerdotes e assegurou que, a este respeito, há soluções e que as encontrará.

"O celibato foi estabelecido no século X. A igreja ortodoxa permite que seus sacerdotes se casem. O problema existe, ainda que não seja de grande dimensão", afirmou, prometendo "soluções".

 


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