Países emergentes são polo alternativo de poder nas relações internacionais

Países emergentes são polo alternativo de poder nas relações internacionais

 

Ao/Lusa   Internacional   12 de Jul de 2014, 09:01

O grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem funcionado como polo alternativo de poder nas relações internacionais, segundo o economista e politólogo Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade Columbia, em Nova Iorque.

 

"Num momento em que a política externa dos Estados Unidos se encontra em retração, o BRICS, com maior coordenação em órgãos multilaterais e formação de instrumentos políticos próprios, despontam como acidental referência para o mundo em desenvolvimento", afirmou Troyjo, em declarações à Lusa, por email.

A próxima cimeira do grupo ocorrerá entre segunda e quarta-feira, nas cidades brasileiras de Fortaleza e Brasília. O politólogo realçou que os cinco países mantêm grupos de trabalho em áreas como combate ao terrorismo, cooperação espacial e saúde pública, além de terem um fundo de 100 mil milhões de dólares (74 mil milhões de euros). Por outro lado, o estatuto dos quatro maiores membros (sem a África do Sul) como mercados emergentes está a desapontar.

"Nenhum dos BRICS ostenta expansão do PIB tão estonteante como na década passada. Campeões nas modalidades de capitalismo de Estado que adotaram, hoje veem-se confrontados com a urgência de reformas", disse Troyjo, defendendo uma menor intervenção governamental, a diminuição da burocracia e a flexibilização do mercado de trabalho.

Na cimeira desta semana, o BRICS pretende lançar oficialmente um novo banco de desenvolvimento. Para que o projeto tenha êxito, será "fundamental que ele se converta num efetivo provedor de crédito para projetos de infraestrutura não apenas no BRICS, mas em terceiros países", disse Troyjo, que também é professor-conferencista do Ibmec, no Rio de Janeiro, e professor-visitante da Sorbonne.

O economista realçou que as autoridades devem gerir o banco como um complemento do FMI e do Banco Mundial, que estão desfasados em termos de governação e não têm capital necessário para ajuda financeira ou apoio ao desenvolvimento, mas não como um contraponto às instituições.

O potencial de cooperação entre o Brasil e os demais membros do BRICS é "imenso", segundo o economista. Entretanto, afirmou, é o crescimento económico local, com reformas e melhoria no ambiente de negócios, que determinará os efeitos positivos do grupo para o país.

Segundo o politólogo, a China pode ser uma grande fonte de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) no Brasil, principalmente no setor de infraestruturas, construção de aeronaves e automóveis, geração de energia e exportação de recursos naturais.

Já com a Índia e a Rússia, o espaço para as parcerias está no campo dos farmacêuticos, tecnologias de informação e intercâmbio de cientistas. A África do Sul, por sua vez, pode ser uma porta para os interesses brasileiros em África, ao lado dos países de língua portuguesa.

O economista afirmou ainda que muito se fala das diferenças de cada um dos BRICS, mas que a experiência da União Europeia mostra que a "plena harmonia de interesses não é indispensável" para o desenvolvimento de projetos em cooperação.

 


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