UE/Previsões

Países do sul da Europa com perspectivas económicas cinzentas


 

Lusa/AO online   Economia   10 de Nov de 2011, 17:54

As previsões económicas do outono divulgadas pela Comissão Europeia confirmam um cenário muito pouco animador para os países do sul da Europa com economias particularmente frágeis, habitualmente classificados de forma depreciativa como PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).
Enquanto Portugal e Grécia, dois países sob programas de ajustamento, deverão ser os únicos Estados-membros da União Europeia a conhecer recessão em 2012 (3 e 2,8 por cento, respectivamente), Itália e Espanha, duas economias de peso, prosseguem uma trajectória descendente, com Roma a acumular uma dívida gigantesca e Madrid na iminência de não cumprir a meta do défice.

Em termos de crescimento económico, as previsões de Bruxelas apontam para que no próximo ano Portugal conheça uma contracção de 3 por cento (cenário mais pessimista que o do Governo, que em Outubro já reviu em baixo as suas estimativas, mas para um recuo de 2,8 por cento), a Grécia de 2,8, enquanto Espanha e Itália praticamente não crescerão (0,7 e 0,1 por cento).

Em matéria de défices públicos, Grécia, Espanha e Portugal deverão registar em 2012 valores bem acima da média da zona euro e da UE (e do “teto” de 3 por cento contemplado no Pacto de Estabilidade e Crescimento), com défices, respectivamente, de 7, 5,9 e 4,3 por cento (sendo que Madrid falhará este ano a meta dos 6 por cento, ao atingir os 6,6), enquanto a Itália deverá conseguir baixá-lo de 4 por cento em 2011 para 2,3 por cento em 2012.

No entanto, a Itália continua a suscitar as maiores preocupações, e, de acordo com as previsões de Bruxelas, não conseguirá no próximo ano reduzir a sua gigantesca dívida pública, de 120,5 por cento (em 2011 e 2012).

Também os restantes três países deverão conhecer no próximo ano dívidas públicas bem acima da média da zona euro e da UE e dos 100 por cento do PIB: a Grécia deverá mesmo praticamente atingir os 200 por cento (198,3), a Espanha os 120,5 e Portugal os 111 por cento.

Além destes quatro países, o único que deverá ter uma dívida acima dos 100 por cento da sua riqueza é a Irlanda, o outro país com um programa de ajustamento em curso a par de Portugal e Grécia.

Outro indicador importante para o qual as perspetivas são cinzentas para os países do sul é o do desemprego, com Bruxelas a estimar para 2012 taxas de 20,9 por cento em Espanha, 18,4 na Grécia e 13,6 em Portugal, enquanto a média da Zona Euro deverá ser de 10,1 por cento e da UE de 9,8 por cento.

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