Países afetados pelos furacões podem levar décadas a recuperar

Países afetados pelos furacões podem levar décadas a recuperar

 

Lusa/AO online   Internacional   6 de Out de 2017, 12:30

O diretor latino-americano do Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU considerou que os países afetados pelos furacões nas Caraíbas podem levar várias décadas para recuperar o seu desenvolvimento, sublinhando a necessidade de cooperação da comunidade internacional.


"O impacto de um furacão num estado insular gera espaços de recuperação muito longos porque as principais atividades destinadas ao turismo estarão limitadas por um tempo e a agricultura de subsistência também", disse Miguel Barreto à agência de notícias espanhola EFE.

Barreto acrescentou que "o tempo de um país para recuperar dependerá da capacidade de financiamento e da implementação de programas, mas, sem dúvida, gera uma hipoteca a médio e a longo prazo porque depende não só deles, mas também do financiamento que recebem".

O representante do programa das Nações Unidas está em Bruxelas para obter apoio ao financiamento de programas de assistência após os furacões Irma, Maria e José, que deixaram enormes prejuízos nas Caraíbas e a "necessidade urgente" de 20 milhões de dólares (17 milhões de euros) para realizar as operações de ajuda.

Miguel Barreto enfatizou que o PAM é financiado voluntariamente pelos países e que a União Europeia (UE) é "um dos principais doadores em todo o mundo", mas "é importante falar sobre o que está a acontecer porque milhões de pessoas precisam de apoio".

Além de "milhões de pessoas" que precisam de ajuda "em situações normais", cerca de um milhão de pessoas adicionais "precisam de apoio em situações de emergência", sublinhou o peruano Miguel Barreto.

O diretor expressou a sua a preocupação com a "onda invulgar" de furacões da categoria 5, sobretudo quando "a temporada ainda não terminou e o pico geralmente acontece no mês de outubro", relacionando essas catástrofes com as mudanças climáticas.

"Obviamente, o excesso desses furacões é devido ao aquecimento das águas e isso tem uma ligação direta com as alterações climáticas", concluiu.

Barreto mencionou, em particular, a devastação na Dominica - que tem uma população com cerca de 70 mil habitantes -- atingida pelo furacão Maria e que teve uma destruição de 80% dos seus edifícios, requerendo "ajuda urgente" no plano alimentar.

O PAM está a preparar uma operação no país para ajudar 25 mil pessoas nos próximos meses.

No sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, visita as Caraíbas.



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