Pais temem que férias de verão apenas em agosto sejam contraproducentes

Pais temem que férias de verão apenas em agosto sejam contraproducentes

 

AO/Lusa   Nacional   14 de Jun de 2015, 11:11

A Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) considera que reduzir o período de férias dos alunos poderá ser contraproducente e lembra que as crianças "precisam de tempo de ócio para crescer".

 

O Conselho das Escolas (CE) fez esta semana uma recomendação ao Ministério da Educação no sentido de os alunos terem uma pausa de dois dias a meio do primeiro período, uma espécie de “férias de outono”, altura em que as escolas poderiam planear atividades de apoio aos alunos que revelassem maiores dificuldades.

A proposta não agradou a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) que criticou as várias pausas que já existem ao longo do ano e defendeu a necessidade de uma revolução no ensino e um período letivo muito mais longo: "as aulas deveriam começar no início de setembro e terminar no final de julho", sugeriu o presidente da Confap.

Com uma opinião diferente, a presidente da CNIPE, Isabel Gregório, saudou a recomendação do Conselho das Escolas (CE): “Esta proposta vai ao encontro das nossas sugestões. Em janeiro estivemos reunidos no Ministério da Educação e o intervalo a meio do primeiro período foi precisamente uma das nossas propostas”.

Já sobre a proposta da Confap de os alunos passarem a ter apenas um mês de férias no verão, Isabel Gregório explicou que a CNIPE ainda não tem uma posição assumida mas alertou para os riscos de os alunos estarem tanto tempo na escola.

“Não queremos radicalizar opiniões e estamos abertos à discussão, mas parece-me que encurtar o tempo de férias acaba por ser contraproducente”, disse à Lusa Isabel Gregório, lembrando que “as crianças, jovens e adolescentes precisam de tempo para crescer”.

“Não queremos criar robots, queremos cidadãos completos e as crianças precisam de espaço para socializar e a verdade é que neste momento muitos estão na escola das oito da manhã às seis da tarde a estudar, com a agravante de ainda trazerem TPC para fazer em casa”, criticou.

A presidente da CNIPE defendeu ainda a necessidade de os mais novos também terem “tempo de ócio para pensar, que é essencial e faz parte do seu crescimento. As crianças precisam de crescer como um todo e não apenas na vertente escolar. Os nossos filhos estão cada vez mais ocupados, são cada vez mais competitivos no sentido de terem as melhores notas e serem os melhores, e isso pode pôr em causa a entreajuda entre colegas”.

A CNIPE também se mostrou satisfeita com as outras duas recomendações do CE, no sentido de agendar apenas para o final do período letivo os exames do 4.ºe 6.º anos e de tornar mais homogéneo o fim das aulas independentemente do ano de escolaridade.


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