País não aguenta mais impostos diz o social democrata Mira Amaral


 

Lusa/AO On line   Nacional   24 de Set de 2010, 06:35

O economista Mira Amaral considerou hoje que "a economia portuguesa não aguenta mais impostos" e que seria o pior sinal para os mercados Portugal começar a discussão do Orçamento para 2011 pelo lado da receita.

Em declarações à agência Lusa, o antigo ministro da Indústria e Energia aconselhou o PSD a "retirar uma lição para 2011" do que aconteceu com o Orçamento do Estado para este ano, quando ponderar o seu sentido de voto.

"A abstenção do PSD no Orçamento do Estado para 2010 mostrou que não chega deixar passar o Orçamento, porque, se ele for mau, os mercados, as agências de 'rating' penalizam o país", apontou Mira Amaral.

Segundo o ex-deputado do PSD, no Orçamento para 2011 "é urgente, é imperioso fazer cortes do lado da despesa, sem isso os mercados não acalmam", e só depois se deve procurar eventuais soluções do lado da receita.

"A economia portuguesa não aguenta mais impostos", defendeu Mira Amaral, comentando a possibilidade de um novo aumento da carga fiscal.

"Além de a economia portuguesa não aguentar mais impostos, ir dizer aos mercados que se vai começar a discussão do Orçamento do Estado para 2011 logo partindo do lado da receita seria a pior coisa", completou.

O antigo ministro dos governos de Cavaco Silva disse que uma das formas de reduzir a despesa pública é extinguir institutos públicos, direções gerais e empresas municipais.

"Eu não aceito que se queira começar pela receita sem primeiro ver o que é possível fazer em termos de corte na despesa. O método tem de ser ao contrário. Cortar na despesa é o que Grécia, Irlanda, Espanha têm feito", insistiu, acrescentando que "os mercados já estão a premiar a Espanha".

Mira Amaral lembrou que o Governo já acordou em maio com o PSD cortar "mil milhões de euros de despesa" - para um valor equivalente de aumento de receita - e concordou com a exigência da direção social democrata de "ver primeiro o que foi cumprido" desse acordo antes de "voltar a negociar" com o executivo.


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