Pais sentem-se frustados por não dedicarem maior atenção aos filhos

Pais sentem-se frustados por não dedicarem maior atenção aos filhos

 

Lusa/AO online   Nacional   22 de Abr de 2015, 12:08

As mães estão mais tempo com filhos e trabalham mais horas entre as tarefas domésticas e o emprego, mas os pais sentem-se frustrados por não conseguirem dedicar maior atenção à criança, revela um estudo sobre as famílias portuguesas.

 

A investigação, publicada no livro Parentalidade(s) nas Famílias Nucleares Contemporâneas, que é apresentado hoje em Lisboa, envolveu 200 mães e 158 pais de crianças em idade pré-escolar que frequentavam os jardins-de-infância da rede pública do concelho da Amadora.

Em declarações à agência Lusa, a autora do livro, Margarida Mesquita, adiantou que o estudo pretendeu caracterizar o envolvimento parental, como é que o pai e a mãe se relacionavam com a criança e qual dos dois estava mais envolvido.

“A grande constatação foi que as mães estão tão ou mais envolvidas que os pais em relação à criança” e que “as mães sentem tanto ou mais do que os pais os problemas na parentalidade”, adiantou a investigadora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

O estudo verificou que as mães dispendem mais tempo com os filhos e são quem os acompanham e entendem melhor, enquanto os pais participam mais na educação e nas tomadas de decisão em relação à criança.

Os pais, contudo, sentem-se frustrados e culpados por não conseguirem passar tanto tempo como gostariam com os filhos. “Tínhamos, às vezes, a ideia de que eram só as mulheres que tinham esses sentimentos de culpa, mas os pais também têm”, disse a socióloga.

“Se as mães se envolvem mais com as crianças a verdade é que os pais também têm condições profissionais que são mais adversas ao exercício da parentalidade”, trabalhando mais horas, por turnos, ao fim de semana e alguns têm dois empregos.

Os pais trabalham em média 9,2 horas por dia e as mães 8,1 horas, refere o estudo, acrescentando que metade dos pais inquiridos trabalha ao fim de semana e faz mais horas no trabalho, contra cerca de 30% das mães.

Esta situação “cria-lhes uma desvantagem no envolvimento com a criança”, adiantou a socióloga.

Margarida Mesquita adiantou que a sociedade está a atravessar “mudanças muito profundas” acerca do que é o papel de pai e o papel de mãe.

“Isto significa que a sociedade está a potenciar a coexistência no mesmo casal de representações de ideais diferentes daquelas que são depois as suas práticas”, o que potencia sentimentos de culpa e de frustração, sublinhou.

O “problema central” que estas famílias enfrentam é a dificuldade de conciliar o trabalho com a parentalidade.

Quando inquiridas sobre qual seria a melhor solução, a maioria manifestou-se contra a ideia de retirar a mãe do trabalho, considerando que o melhor seria trabalharem os dois menos tempo.

Numa altura em que se discute o trabalho a tempo parcial, Margarida Mesquita disse que esta opção irá recair para a mãe, o que poderá significar que a mulher reduz a jornada de trabalho, mas ficará mais sobrecarregada na parte doméstica e nos cuidados às crianças.

“É hoje mais difícil ser pai e mãe e é também mais competitivo o mercado de trabalho, sendo que esta conciliação criou grandes dificuldades” à parentalidade, frisou.


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