Orquestra Regional Lira Açoriana sobe ao palco na quinta-feira após interregno de dois anos


 

Lusa/AO Online   Regional   31 de Mar de 2015, 14:33

Dois anos após o último concerto, a Orquestra Regional Lira Açoriana volta a subir aos palcos, na quinta-feira, na Terceira, num projeto que integra cerca de 70 jovens de várias ilhas dos Açores, desejosos por revelarem os seus dotes.

 

“A orquestra vai retomar a sua atividade a 02 de abril com um concerto no Auditório do Ramo Grande [Praia da Vitória] e os jovens estão todos muito entusiasmados. Estamos muitíssimo empenhados. Estamos a trabalhar afincadamente de manhã, à tarde e até praticamente à hora de jantar”, disse o maestro Henrique Piloto, em declarações à Lusa.

A Orquestra Regional Lira Açoriana foi criada em 1998 para representar a região na Expo98, em Lisboa, mas o último concerto foi em 2013.

O Governo dos Açores decidiu reativar este projeto e dar-lhe um novo formato, passando a orquestra a ter direção e composição nova a cada dois anos.

O maestro Henrique Piloto, que vai dirigir a orquestra até 2016, adiantou que o agrupamento é composto por jovens entre os 14 e 24 anos, escolhidos através de um processo de seleção, onde se incluíram várias audições.

“Foram perto de uma centena de jovens que concorreram. E neste momento temos um grupo que está a mostrar o altíssimo valor que os jovens açorianos têm. São jovens entre os 14 e os 24 anos com uma grande vontade e curiosidade em aprender”, frisou o maestro, docente na Escola de Música Nossa Senhora do Cabo (Linda-a-Velha, Lisboa), acrescentando que surgiram candidatos de sete das nove ilhas dos Açores (as exceções são Santa Maria e Corvo).

Henrique Piloto já dirigiu, entre outras, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Académica Metropolitana, a Orquestra Filarmonia das Beiras, a Orquestra do Algarve, a Orquestra da Musikskola de Ümea, o Oratory Choir of Hong Kong e o Coral Lisboa Cantat e destacou a ideia subjacente ao projeto da orquestra regional dos Açores, que visa a formação de músicos.

O maestro sublinhou o entusiamo que deposita no projeto, salientando que "todas as ilhas açorianas estão a produzir músicos com qualidade".

“O sentido deste projeto também é enriquecer e aumentar o nível das próprias filarmónicas, porque estes jovens, quando regressarem às filarmónicas de origem, após esta semana, vão mais ricos e é isto que interessa, é fazer com que as filarmónicas fiquem mais ricas, fiquem com os seus jovens muitíssimo mais bem formados”, referiu.

De acordo com Henrique Piloto, estão programados, no biénio 2015/2016, quatro concertos, pelo que serão feitos estágios pela altura da Páscoa e antes de se iniciar um ano letivo, na primeira semana de setembro.

O músico que mais se destacar, em termos artísticos e de comportamento, nos quatro estágios, receberá como prémio um estágio de curta duração, com todas as despesas incluídas, em Portugal ou no estrangeiro.

A atribuição deste prémio resulta de "o Projeto Lira pretender constituir-se como uma oportunidade de valorização e evolução para os músicos que forem selecionados para o integrar", segundo o Governo Regional.

A Orquestra Regional Lira Açoriana era composta, desde o seu início, por um conjunto permanente de músicos recrutados das várias filarmónicas dos Açores, mas a partir de agora o quadro orgânico do projeto "será versátil, de acordo com a decisão do maestro que esteja na direção artística" e "variará entre 40 e 70 elementos, escolhidos através de um processo de seleção nas ilhas do arquipélago".

"Estamos a apostar muito na formação para melhorar a prestação dos jovens que depois levarão daqui para as suas filarmónicas" os ensinamentos, disse ainda o maestro Henrique Piloto.

O maestro, formado em Direção de Orquestra e em Direção Coral, e com o Curso de Canto Gregoriano do Instituto Gregoriano de Lisboa, salientou ainda que os cerca de 70 jovens da Lira Açoriana "estão empenhadíssimos" para realizarem com "sucesso o concerto 02 de abril".

O programa do primeiro concerto, que se inicia pelas 21:30, inclui, na primeira parte, a interpretação das obras “Abertura Festiva”, de D. Shostakovich, "Concerto para Trompete", de A. Araturian, pelo solista David Lopes, e “Doze Titãs”, de Antero Ávila.

A segunda parte será preenchida com as peças “Ceremonial Stereo”, de Jorge Salgueiro, e “Quadros de uma Exposição”, de M. Mussorgsky.

Segundo a Direção Regional da Cultura, que coordena o Projeto Lira, a escolha deste repertório "visa permitir que os jovens que integram a orquestra possam revelar o seu elevado nível musical, ao mesmo tempo que se abrem ao vastíssimo mundo da grande música".

 


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