Organização Mundial da Saúde impreparada para lidar com surtos como Ébola

Organização Mundial da Saúde impreparada para lidar com surtos como Ébola

 

LUSA/AO online   Ciência   7 de Jul de 2015, 16:43

Um painel de peritos independentes alertou hoje que a Organização Mundial da Saúde (OMS) está impreparada para lidar com surtos como o do vírus Ébola, o que exige urgentes mudanças na instituição

Num relatório muito crítico, o painel de peritos independentes, nomeado pelas Nações Unidas, considera que a OMS tende a responder às emergências com “uma abordagem reativa, em vez de proactiva”.

Ao mesmo tempo, afirmam, a organização não tem respondido aos avisos feitos pelas equipas experientes que trabalham no terreno.

A OMS foi criticada pela lentidão na resposta ao mais recente surto de Ébola, que já vitimou mais de 11 mil pessoas, sobretudo em países da África Ocidental.

A organização declarou o estado de emergência de saúde pública mundial apenas a 8 de agosto, cinco meses depois do início do surto. E, mesmo depois disso, faltou a dirigentes e equipas da OMS uma “tomada de decisão independente e corajosa” para lidar com os governos dos países afetados.

A agência da ONU também não procurou contactar precocemente as comunidades locais nem comunicar o que devia ser feito para, por exemplo, reduzir o risco de infeção no enterro dos mortos contagiados.

“Até isso ser resolvido, é necessário manter elevados níveis de alerta”, alertam os especialistas.

O painel de peritos – liderado por Barbara Stocking, antiga presidente da organização Oxfam – acusou também os Estados-membros de não cumprirem com o seu dever de se prepararem para emergências globais e de terem ignorado os conselhos da OMS sobre encerramento de fronteiras e suspensão de voos, durante o surto de Ébola.

Porém, os especialistas rejeitaram as sugestões para que as emergências de saúde globais sejam assumidas por outra agência da ONU ou por um organismo novo a criar.

Ao contrário, apelaram a um maior investimento na OMS, pedindo, nomeadamente, 92 milhões de euros para o fundo de emergência e cinco por cento de aumento nas contribuições regulares dos Estados-membros.

O painel defende que “a OMS precisa de fazer mudanças substanciais, particularmente nos processos de liderança e tomada de decisões”, mas reconhece que a falta de fundos coloca a organização em “séria desvantagem”.

Resolver a questão exige “vontade política dos Estados-membros” para assumir as suas responsabilidades em “levar a cabo essa transformação urgente”, sustentam.

Os peritos recomendam a criação de um novo centro de emergências para responder e lidar com crises globais e apoiam o aumento de equipas de resposta rápida.

Mais de 99 por cento das vítimas do Ébola concentram-se na Guiné-Conacri, na Serra Leoa e na Libéria, o país mais afetado, com cerca de cinco mil mortos, onde o vírus continua a ceifar vidas (no passado dia 1, mais dois doentes foram identificados, apesar de não se registarem casos há dois meses).

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com sangue, fluidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados, provocando febres hemorrágicas que, na maioria dos casos, são fatais.

O contacto direto com outras pessoas ou cadáveres infetados tem sido o grande veículo de transmissão do vírus, para o qual não existe tratamento nem vacina.

Este cenário faz do Ébola um dos mais mortais e contagiosos vírus para os seres humanos, com uma taxa de mortalidade a rondar os 90 por cento.

O Ébola tem fustigado o continente africano regularmente desde 1976, sendo o atual surto o mais grave desde então. Em 18 meses, o vírus infetou mais de 25 mil pessoas.

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