Organização contraria previsão do Governo e espera crescimento de 1,3% em 2015

Organização contraria previsão do Governo e espera crescimento de 1,3% em 2015

 

Lusa/AO Online   Economia   27 de Out de 2014, 07:51

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) estima, num relatório divulgado esta segunda-feira, que a economia portuguesa cresça 1,3% em 2015, abaixo do que previu em maio e abaixo dos 1,5% previstos pelo Governo.

 

No ‘Economic Survey’ de 2014 divulgado hoje, a OCDE revê ligeiramente em baixa a perspetiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português, estimando agora que aumente 1,3% no próximo ano, menos 0,1 pontos percentuais do que o calculado em maio.

A estimativa conhecida hoje fica também abaixo do previsto pelo Executivo liderado por Pedro Passos Coelho no Orçamento do Estado para 2015, que antecipa que o PIB cresça 1,5% já no próximo ano.

Segundo o relatório, a OCDE prevê um crescimento de 1,5% em 2016, também 0,2 pontos percentuais abaixo do que antecipou o Governo para esse ano (1,7%) no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), divulgado em abril.

A instituição liderada por Angel Gurría também reviu em baixa a previsão de crescimento para 2014, esperando agora que o PIB aumente 0,8%, em vez dos 1,1% estimados em maio. Esta estimativa fica também abaixo do crescimento previsto pelo Governo na proposta de Orçamento: 1%.

A organização espera também que a taxa de desemprego este ano e no próximo seja inferior ao estimado em maio, antevendo agora que seja de 14,1% (menos um ponto percentual) em 2014 e 13,3% em 2015 (menos 1,5 pontos percentuais).

Estas previsões de desemprego são mais otimistas do que as previsões do Governo para este ano, de 14,2%, e para o próximo, 13,4%, segundo a proposta orçamental para 2015.

Já para 2016, antecipa a instituição sedeada em Paris, a taxa de desemprego poderá descer para os 13%.

No relatório, a OCDE considera que “as exportações vão continuar a liderar a recuperação económica, acompanhadas pela recuperação dos mercados de exportação portugueses, especialmente na zona euro”.

As exportações, que a Organização afirma que têm de ser reforçadas, podem também levar à melhoria no saldo da balança de pagamentos. A OCDE admite que as contas externas passem de um défice de 0,4% do PIB este ano para um saldo positivo de 0,5% no próximo e de 1% do PIB em 2016.

Por outro lado, a organização admite que a necessidade de consolidação orçamental, a ainda elevada dívida do setor público e o desemprego “vão conter” a procura interna.

A OCDE alerta para riscos ao crescimento económico português que poderão ter “custos significativos”, como o de uma possível deflação.

“Depois de a inflação ter sido negativa no início de 2014, existe um risco de deflação que pode tornar-se mais persistente, no contexto de baixa inflação na zona euro. Isto pode fazer descarrilar a recuperação económica e dificultar a redução da dívida”, alerta a instituição.

Este relatório da OCDE, que é publicado de dois em dois anos, vai ser apresentado esta manhã no Ministério das Finanças pelo secretário-geral da Organização, Angel Gurría, numa cerimónia onde estará também a ministra Maria Luís Albuquerque.


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