Ordem dos Enfermeiros dos Açores critica funcionamento de urgência do HDES

Ordem dos Enfermeiros dos Açores critica funcionamento de urgência do HDES

 

Lusa/AO Online   Regional   14 de Nov de 2012, 06:17

O presidente da secção regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros, Tiago Lopes, criticou hoje o funcionamento da extensão do serviço de urgência do Hospital Divino Espírito Santo (HDES) de Ponta Delgada, por insuficiência de profissionais.

"A equipa é constituída por dois médicos que foram contratados para o efeito, por um enfermeiro e um assistente operacional. Esta equipa tem dado resposta aos casos urgentes menos prementes que segundo a presidente do conselho da administração correspondem a cerca de 60% dos 300 atendidos por dia, portanto, temos cerca de 180 pessoas a serem atendidos por dia por dois médicos, um enfermeiro e um assistente operacional", denunciou Tiago Lopes, em declarações à agência Lusa, fazendo um balanço sobre o serviço que entrou em funcionamento há cerca de uma semana.

O representante máximo da Ordem dos Enfermeiros dos Açores adiantou que "um enfermeiro tem em média cerca de quatro minutos para atender um utente" que recorra ao antigo SAU e, por isso, não aceitar que a presidente do conselho de administração do HDES "fale em 'burnout' dos médicos".

As críticas de Tiago Lopes estendem-se à unidade de saúde de São Miguel devido ao horário reduzido de atendimento de utentes sem médico de família nas unidades de saúde espalhadas pela ilha, numa altura em que se tenta incentivar os pacientes a recorrerem a essas unidades antes de se dirigirem ao Hospital de Ponta Delgada.

Para o presidente da Ordem dos Enfermeiros nos Açores "estão a ser tomadas medidas que estão a descurar a proximidade e a qualidade tão apregoadas" quer por parte da unidade de saúde de São Miguel, quer pelo conselho de administração do Hospital Divino Espírito Santo.

Emília Santos, diretora clínica do Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada refutou as acusações da Ordem dos Enfermeiros, desmentindo que sejam 180 os utentes atendidos na atual extensão do serviço de urgência, mas cerca de meia centena por dia.

"Este serviço está a funcionar das 08:30 às 20:30 para tentar obviar a carência de recursos que não foi criada pelo centro de saúde de Ponta Delgada e estes colegas estão a ver uma média de 50 a 60 utentes por dia e, portanto, entre os 300 atendimentos por dia. 50 ou 60 utentes não são os 60% que o senhor presidente do conselho diretivo regional da Ordem dos Enfermeiros se refere", justifica Emília Santos.

A diretora clínica acusa o presidente da Ordem dos Enfermeiros dos Açores de "desconhecimento e má-fé".

"Pronunciar-se a Ordem dos Enfermeiros sobre a reorganização dos serviços do hospital não me parece que caia nas competências dele. Nós somos um hospital acreditado, que se rege por níveis de qualidade que temos de manter e de cumprir e, por isso, é que fomos acreditado e reacreditados em 2009 e caminhamos novamente para um processo de reacreditação. Pronunciar-se sobre este assunto sem consultar o conselho de administração do hospital revela uma profunda má-fé do enfermeiro Tiago Lopes", acusa a diretora clinica do HDES.


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