Tsunami/10Anos

Orações e homenagens solenes recordam vítimas na Ásia

Orações e homenagens solenes recordam vítimas na Ásia

 

Lusa/AO Online   Internacional   26 de Dez de 2014, 18:16

Orações, lágrimas e homenagens solenes, com a participação de milhares de pessoas, marcaram hoje na Ásia a evocação do tsunami no Oceano Índico que há dez anos causou 220 mil mortos e atingiu 14 países.

A 26 de dezembro de 2004, um sismo de magnitude 9,3 – o mais forte do planeta desde 1960 – registou-se ao largo da ilha indonésia de Sumatra e provocou ondas gigantescas em países asiáticos, como Sri Lanka e Tailândia, atingindo também a costa africana.

Entre as vítimas encontravam-se milhares de turistas estrangeiros, que gozavam férias nas praias idílicas da região. A maioria (5.300) morreu na costa sul da Tailândia.

No 10.º aniversário, foram muitos os que regressaram aos locais atingidos pela catástrofe, nomeadamente Khao Lak, onde ao cair da noite centenas de mulheres, homens e crianças se reuniram.

Próximo de um barco da polícia, que foi projetado para o campo numa distância de dois quilómetros e que hoje se transformou num monumento evocativo do acidente, centenas de sobreviventes e familiares e amigos das vítimas, de velas brancas nas mãos, observaram um minuto de silêncio, sob uma chuva ligeira, antes de o som de um trompete marcar o fim da cerimónia.

Entre os muitos sobreviventes presentes, Katia Paulo, uma suíça de 45 anos, recordou com emoção os acontecimentos: “Eu estava de costas para o mar. O meu namorado chamou-me… a única coisa que recordo é a expressão no seu rosto. Eu percebi que tinha de fugir, mas a onda apanhou-me”, disse. A mulher nunca mais viu o seu namorado, cujo corpo foi recuperado um mês depois.

Para os sobreviventes, há duas memórias que permanecem gravadas: o ruído – um terrível rugido – e depois a sensação de ser aspirado para uma imensa “máquina de lavar”.

Somjai Somboon, 40 anos, homenageava os seus dois filhos, que foram arrastados de casa. “Penso neles todos os seus dias”, disse, com os olhos cheios de lágrimas.

A milhares de quilómetros de distância, as cerimónias começaram na Indonésia – o país mais afetado pelo drama, com 170 mil mortos e desaparecidos. Num parque em Banda Aceh, a região mais próxima do epicentro do sismo, homens e mulheres cantaram o hino nacional.

“Milhares de cadáveres ficaram espalhados neste terreno”, afirmou o vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla, diante de uma multidão de cerca de sete mil pessoas, muitas delas em lágrimas ao lembrar as ondas, que chegaram a alcançar 35 metros de altura.

Mais de 11 mil milhões de euros foram recolhidos para ajuda às populações atingidas e para reconstrução, numa onda de generosidade sem precedentes em todo o mundo.

No Sri Lanka, onde mais de 35 mil pessoas morreram, sobreviventes e próximos das quase 1.700 vítimas que viajavam num comboio arrastado das linhas em Peraliya, a sul de Colombo, reuniram-se. Um responsável disse à agência de notícias France Presse que a falta de conhecimentos sobre tsunamis causou mortes desnecessárias.

“Tínhamos cerca de 15 minutos para retirar os passageiros em segurança. Eu poderia tê-lo feito. Tínhamos tempo, mas não sabíamos”, afirmou Wanigaratne Karunatilleke, 58 anos.

O Governo cingalês elegeu hoje, no Dia Nacional da Segurança, o lema “Sri Lanka seguro, unamo-nos para erradicar desastres”.

Na Índia, onde houve mais de 10 mil mortos e quase seis mil desaparecidos, as principais cerimónias decorreram em Tamil Nadu (sul), o estado mais atingido pelo tsunami.

As embarcações de pesca não saíram para o mar, em sinal de luto, e familiares das vítimas deitaram leite sobre o oceano, como oferenda, em Chennai, capital deste estado indiano.

Uma missa cristã em Idinthakarai, na zona costeira, um minuto de silêncio em Nagapattinam, cartazes com fotografias dos mortos e desaparecidos, oferendas com coroas de flores e velas, e procissões silenciosas em Velankanni ou Puducherry evocaram as vítimas.

Pattinacherry, Karaikalmedu, Kottucherrymedu e outras vilas costeiras hastearam bandeiras negras em sinal de luto, numa jornada em que o Governo indiano não organizou qualquer iniciativa para assinalar a data.

Há também comemorações previstas na Europa, nomeadamente na Suécia, país que perdeu 543 pessoas na catástrofe, onde a família real e familiares e amigos das vítimas assistirão a uma cerimónia em Uppsala, a maior catedral da Escandinávia, perto de Estocolmo.

Após o cataclisma, foram instalados sistemas de alerta contra tsunamis nos países da região do Oceano Índico, mas especialistas alertam para um abrandamento da vigilância de populações vulneráveis a catástrofes naturais.

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.