Oposição exige que o Governo dos Açores assuma responsabilidades pelo acidente mortal no Pico

Oposição exige que o Governo dos Açores assuma responsabilidades pelo acidente mortal no Pico

 

Lusa/AO Online   Regional   17 de Fev de 2016, 06:37

Os partidos da oposição com assento na Assembleia Legislativa dos Açores exigiram hoje que o Governo Regional assuma as responsabilidades pelo acidente mortal ocorrido no porto de São Roque do Pico.

Em causa está a morte de um passageiro da Transmaçor (agora fundida na Atlânticoline), que foi atingido por um cabeço de amarração que se soltou do cais, quando o navio "Gilberto Mariano" se preparava para atracar no porto comercial do Pico, em novembro de 2014.

Durante a discussão hoje, em plenário, do relatório elaborado pela Comissão de Inquérito aos Transportes Marítimos, criada para investigar este e outros incidentes ocorridos nos portos das ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), a oposição não poupou críticas ao executivo.

"Como é possível que, num momento destes e num assunto tão sério e tão grave, não esteja aqui o responsável máximo da governação, o presidente do Governo, Vasco Cordeiro", questionou Cláudio Lopes, deputado do PSD, que disse não compreender "como é que o senhor secretário regional dos Transportes, ainda está sentado nessa bancada do Governo".

A ausência de Vasco Cordeiro da sessão plenária onde foi apresentado o relatório final da Comissão de Inquérito (que não atribui responsabilidades políticas pelo acidente), mereceu também o reparo de Graça Silveira, do CDS, que criticou a "prepotência" da maioria socialista neste caso.

Mas o secretário regional do Turismo e dos Transportes, Vitor Fraga, disse que não se sentia responsável pelo acidente, porque garante que desconhecia os problemas nos cabeços de amarração registados nos portos da Horta e da Madalena, antes do acidente mortal em São Roque.

Aníbal Pires, do PCP, considerou, porém, que nem seria necessária uma comissão de inquérito, para apurar de quem são, afinal, as responsabilidades políticas neste caso: para o bem e para o mal, a culpa é sempre de quem decide, ou seja, do Governo Regional".

Uma posição partilhada também por Zuraida Soares, do Bloco de Esquerda, que apelou a que, "em nome da decência e da seriedade", "alguém" do Governo Regional assumisse as suas responsabilidades por este acidente.

Paulo Estevão, do PPM, recordou um dos documentos que chegou à comissão de inquérito, que revela que cerca de 25% dos cabeços de amarração "estão em más condições" e exigiu que alguém fosse responsabilizado por isso, por entender que isso configura "uma situação de negligência!

Mas para José Contente, deputado da maioria socialista, os partidos da oposição revelaram "oportunismo político", ao tentarem transformar em "mera politiquice" o inquérito parlamentar.

O debate foi acompanhado de perto, nas bancadas do público, por familiares de José Norberto, a vítima mortal deste acidente, o primeiro do género na história do transporte marítimo de passageiros nas ilhas.

 

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