Oposição contesta desvalorização da moeda e câmbio dual decidido por Chávez


 

Lusa / AO online   Economia   9 de Jan de 2010, 15:25

A oposição venezuelana contestou hoje a decisão de sexta-feira do presidente Hugo Chávez de desvalorizar a moeda e estabelecer um câmbio dual de 4.3 bolívares por dólar mas com uma excepção de 2,6 bolívares por dólar para importações oficiais, alimentos, saúde e educação.

“Isto não é mais que uma sexta-feira vermelha, que burla os esforços de cada cidadãos para ter poupanças que hoje se desvanecem nas mãos”, disse o opositor António Ledezma, do partido Aliança Bravo Povo e presidente da Câmara Metropolitana de Caracas.

Hugo "Chávez mentiu ao dizer-nos que a crise não nos tocaria nem num cabelo ainda que o preço do petróleo estivesse a zero dólares e agora desvaloriza 100 por cento a moeda nacional, pondo a 4,3 (bolívares fortes por dólar), com o preço do petróleo sobre os 80 dólares por barril”, disse.

Ledezma descreveu as medidas como “uma desvalorização da qualidade de vida dos venezuelanos” que “passam a ter a metade do dinheiro que tinham até hoje”.

“O Presidente, há um ano, lançou o bolívar forte, mas que tem de forte se está debilitando a qualidade de vida dos venezuelanos?” - questionou, salientando que a medida aumentará a inflação e o preço dos produtos.

Por outro lado, instou o presidente Hugo Chávez a “responder a cada um dos venezuelano sobre o que se passará com as suas poupanças, salários que diminuem à metade e a crise económica geral que afoga o país”.

O partido opositor Primeiro Justiça (PJ) emitiu também um comunicado onde contesta a desvalorização da moeda e o novo cambio dual, considerando-o um "um golpe ao estômago dos venezuelanos”.

Júlio Borges, porta-voz do PJ acusou o Governo de “ter 11 anos dando pontapés no sector privado” e de procurar obter “mais bolívar para continuar com os obséquios a outros países, a compra de brinquedos militares e manter a imensa ineficiência e corrupção”.

O presidente Hugo Chávez anunciou, sexta-feira, uma desvalorização da moeda nacional e a implementação de um sistema dual de câmbio.

“Decidimos levar a taxa cambial de 2,15 a 2,60, num primeiro nível (...) haverá um segundo nível que será o dólar petrolífero de 4,3 bolívares por dólar”, disse.

O primeiro nível contempla as importações prioritárias e do sector público, alimentos, saúde, maquinárias e equipamentos, ciência e tecnologia, remessas a familiares, recursos de consulados e embaixadas creditadas no país.

O segundo nível abrange todos os demais sectores, entre eles automotor, comércio e telecomunicações, passariam à taxa de 4,30 bolívares fortes no que disse chamar-se dólar petrolífero.

Na Venezuela está vigente, desde 2003, um sistema de controlo cambial que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país. Desde 2005 que a taxa oficial de câmbio é de 2,15 bolívares por dólar, sendo possível obter divisas através do mercado paralelo a valor superiores a 6 bolívar.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.