Oposição condena críticas de Avelino Meneses a trabalhos parlamentares

Oposição condena críticas de Avelino Meneses a trabalhos parlamentares

 

Lusa/AO online   Regional   12 de Mar de 2015, 15:43

A oposição nos Açores condenou o secretário regional da Educação por, numa sessão do Parlamento Jovem, ter dito que a Assembleia Legislativa açoriana presta, por vezes, "tristes espetáculos", tendo mesmo o PPM pedido a demissão de Avelino Meneses.

 

O voto de protesto foi apresentado pelo deputado do PSD Luís Maurício, que considerou as declarações de Avelino Meneses "graves" por desrespeitarem o parlamento regional e "o trabalho dos deputados" e por terem sido proferidas numa iniciativa que pretende atrair os mais novos para a participação cívica e a atividade política.

O Governo Regional não pode intervir nos debates dos votos de protesto, segundo o regimento do parlamento açoriano, mas Luís Maurício apelou a que Avelino Meneses pedisse desculpa aos deputados através de uma interpelação à Mesa.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, perguntou à Mesa se o executivo poderia intervir, dada a interpelação feita pelo PSD, o que a Mesa do parlamento recusou, por representar uma violação do regimento.

"A apresentação de um voto deste teor causa mais prejuízo à credibilidade, à dignidade desta assembleia, da política e da autonomia do que aquele que eventualmente resultasse das declarações do senhor secretário", concluiu Vasco Cordeiro.

À margem dos trabalhos parlamentares, o presidente do executivo açoriano acrescentou, à Lusa, que não está em causa a apresentação de um voto de protesto ao Governo, considerando que aquilo que é "preocupante" é "o sinal" e "a mensagem" que os partidos que apoiaram o seu teor "enviam para a sociedade açoriana" de que "há coisas que não se discutem" e de que "não se pode fazer uma apreciação crítica do parlamento".

CDS-PP, PPM, PCP e BE apoiaram o texto proposto pelo PSD que condena a seguinte frase de Avelino Meneses: "A culpa é necessariamente nossa, de todos aqueles que mensalmente - eu também - se sentam neste hemiciclo e que, não raras vezes, servem a todos vocês, o mais triste dos espetáculos, ou seja, o espetáculo da vitória do interesse pessoal sobre a conveniência coletiva, do insulto sobre a decência, da estupidez sobre a inteligência".

O deputado do PCP, Aníbal Pires, disse lamentar estas declarações, mas não fez mais considerações, por Avelino Meneses não poder intervir para se defender.

Artur Lima, do CDS-PP, referiu que o secretário regional da Educação "tem direito" a ter esta "opinião" sobre o parlamento e que os partidos têm o direito de a censurar, lembrando que é uma opinião de um membro do executivo regional, não "do cidadão Avelino Meneses".

Paulo Estêvão, do PPM, disse que as declarações de Avelino Meneses são indefensáveis e comparou-as ao "antiparlamentarismo" do ditador António Salazar, acabando por pedir a demissão do secretário regional.

Coube ao deputado do PS Francisco Coelho defender Avelino Meneses.

"O senhor secretário não fez exclusivamente, ou sequer principalmente, uma crítica aos deputados", mas "sim, e desde logo, uma autocrítica", disse o socialista, que considerou o "discurso de donzela ofendida" do deputado do PSD "hipócrita e bastante arrogante".

Francisco Coelho acrescentou que "a democracia é, por essência, o campo da liberdade, da divergência e da crítica".

"Devemos ter a humildade de, perante a crítica, não matar o mensageiro ou perante a imagem menos agradável do espelho, resistir a tentação e não o partir (...). Havemos de convir que é certo que, independentemente do balanço do nosso trabalho, também não somos perfeitos, nem somos perfeitos todos os dias. A verdade é que por vezes também há aqui alguns excessos e algumas coisas que não contribuem para que essa imagem seja a melhor. Por que é que não havemos de o reconhecer?", questionou.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.