Oposição com maioria parlamentar na Venezuela pela primeira vez em 16 anos

Oposição com maioria parlamentar na Venezuela pela primeira vez em 16 anos

 

Lusa/AO Online   Internacional   7 de Dez de 2015, 07:24

A oposição venezuelana conquistou,a maioria parlamentar pela primeira vez em 16 anos, anunciou hoje o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

 

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coligação da oposição, obteve 99 assentos – conquistando uma maioria de dois terços – contra 46 do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do Presidente Nicolás Maduro, anunciou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, numa aparição pública cerca de cinco horas depois do encerramento das urnas, quando a contagem dos votos ainda não terminou.

Segundo Tibisay Lucena, houve uma “participação extraordinária” de 74,25% nas eleições parlamentares de domingo e já foram contabilizados 96,03% dos votos, sendo as tendências “irreversíveis”.

O anúncio dos resultados oficiais, depois de várias horas de atraso, foi recebido em alguns bairros de Caracas com gritos de alegria e o lançamento de petardos.

Imediatamente depois, o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, apareceu na televisão, de rosto sério, para uma declaração durante a qual afirmou aceitar os resultados com “a moral e a ética do chavismo” e destacou o triunfo da “Constituição e da democracia”.

A oposição, que era apontada como a grande favorita, beneficiou do forte descontentamento popular na Venezuela com uma crise económica provocada pela queda do preço do petróleo.

O país, de 30 milhões de habitantes, detém das maiores reservas de crude do mundo, mas está atualmente a braços com uma situação de escassez de alimentos e bens de primeira necessidade.

Os resultados eleitorais traduzem uma viragem histórica depois da chegada do poder do 'chavismo' (de Hugo Chavez) em 1999, apesar de diversos analistas advertirem que Nicolás Maduro pode tentar limitar os poderes do parlamento para contrariar esta vitória, arriscando desencadear protestos.

Cerca de 19,8 milhões de eleitores foram chamados às urnas no domingo para as eleições destinadas a renovar a Assembleia Nacional (parlamento) de 167 deputados, três dos quais em representação das comunidades indígenas.


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