Operadores de Lisboa ameaçam deixar de vender passes por dívida do Estado

Operadores de Lisboa ameaçam deixar de vender passes por dívida do Estado

 

Lusa/AO Online   Economia   6 de Ago de 2010, 08:53

Os operadores privados de transporte público de passageiros da área metropolitana de Lisboa (AML) ameaçam deixar de vender passes sociais se o Estado não lhes pagar os cerca de 15 milhões de euros em dívida.

“Já seguiu uma carta de denúncia dos acordos e se nada for feito dentro de três meses estas empresas deixam de vender os passes sociais”, afirmou hoje à Lusa o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (Antrop), reclamando o pagamento de uma dívida de cerca de 15 milhões de euros.

Em declarações à Lusa, Luís Cabaço Martins realçou os operadores “não terão outra saída senão abandonar o sistema dos passe social na região de Lisboa, prejudicando assim seriamente os utilizadores que passarão a pagar muito mais do que atualmente pagam pela utilização dos transportes públicos na AML”.

A Rodoviária de Lisboa, a Transportes Sul do Tejo, a Vimeca Transportes e a Scotturb Transportes Urbanos têm um acordo para receber anualmente um montante de 9, 5 milhões de euros pelos passes multimodais de Lisboa, que, acrescentou, “desde 2008, o Governo não paga”.

“O Governo assume responsabilidades, define que os preços devem ser sociais e depois não assume as responsabilidades”, criticou o presidente da Antrop, realçando que “às empresas públicas paga todos os anos quantias muito superiores”.

“Está a fazer isto só às empresas privadas e assim acaba por destruir completamente o mercado, porque as empresas não se aguentam. São as únicas receitas e criam problemas gravíssimos aos operadores”, acusou Cabaço Martins.

“Desde 2008 que o Governo não paga nada e portanto os operadores continuam a vender passes e a receber menos do que deviam e não recebem qualquer compensação”, acrescentou.

Segundo Cabaço Martins, a Antrop já contactou o ministério das Obras Públicas, que disse “não ter capacidade para resolver o problema que está no ministério das Finanças”.

“Se não pode pagar, a solução é não criar os passes e não definir preços sociais, porque qualquer Estado de bem quando assume um compromisso cumpre-o”.

Em atraso, revelou, está também o pagamento das compensações dos passes 4-18 e sub 23, criados há um e dois anos respetivamente pelo Governo, que são destinados aos estudantes, e cujo valor em dívida “ascende a 7,5 milhões de euros”.

“Definiram estes passes com um desconto de 50 por cento e que nos pagariam a diferença a 60 dias, mas o 4-18 não é pago desde novembro e sub 23 desde setembro”, denunciou, acrescentando que “a solução pode também ser deixar de vender”, o que será discutido na próxima reunião de associados em setembro.


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