ONU pede medidas para adaptar a agricultura e evitar a fome devido às alterações climáticas

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 Jose Graziano da Silva

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A ONU pediu medidas urgentes que permitam adaptar a agricultura às alterações climáticas e evitar que este fenómeno cause mais fome no mundo onde quase 800 milhões de pessoas não têm suficiente para comer.
 

Antecipando o Dia da Alimentação, no próximo domingo, as agências das Nações Unidas em Roma aproveitaram o dia de hoje para sublinhar que, se o clima muda, a agricultura e a alimentação também devem mudar.

Também se reuniram na capital italiana representantes de meia centena de cidades para promover um acordo a favor de políticas alimentares sustentáveis.

Durante a cerimónia principal, o diretor da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, afirmou que não se podem evitar as secas, mas pode-se evitar que estas resultem em fome “se se tomarem as medidas apropriadas".

Perante fenómenos naturais extremos cada vez mais frequentes, como o recente furacão Matthew que destruiu parte do Haiti, José Graziano da Silva apontou que a adaptação e a mitigação dos efeitos das alterações climáticas é "fundamental".

É sobretudo essencial para os pequenos agricultores que precisam de aceder à inovação tecnológica e programas sociais, entre outros recursos.

Estima-se que mais de 80% da população que passa fome vive em países que sofrem desastres naturais e degradação ambiental.

O primeiro-ministro de Itália, Matteo Renzi, considerou que, à semelhança da imigração, a pobreza e fome são questões políticas que devem ser abordadas com “valores” e sem cair nos “egoísmos nacionais”.

O papa Francisco afirmou numa mensagem lida pelo observador permanente da Santa Sé na FAO que as instituições nacionais e internacionais devem atuar com “solidariedade” para garantir uma distribuição justa dos alimentos, “mesmo quando a lógica do mercado segue outros caminhos”.

“A partir da sabedoria das comunidades rurais podemos aprender um estilo de vida que nos pode ajudar a defender da lógica de consumo e da produção a todo o custo”, disse o papa, que denunciou o abandono por que passam muitos agricultores e pescadores afetados pelas alterações climáticas.

A poucas semanas da próxima cimeira do clima em Marraquexe, a princesa Lalla Hasnaa de Marrocos insistiu que agora os países devem cumprir o pacto firmado no ano passado em Paris e ajudar o continente africano a desenvolver a sua agricultura e melhorar a sua segurança alimentar.

As figuras presentes destacaram ainda a necessidade de erradicar a fome em todo o mundo com medidas concretas e cumprir assim com um dos objetivos incluídos na agenda para o desenvolvimento sustentável fixado pela comunidade internacional para 2030.

Com políticas destinadas a reduzir o desperdício de alimentos, melhorar a alimentação da população e fomentar a agricultura urbana, cerca de 130 cidades de todo o mundo juntaram-se para desenvolver um acordo assinado no ano passado em Milão, explicou o presidente da câmara daquela cidade italiana, Giuseppe Sala.

Responsáveis de quase 50 dessas localidades – incluindo a Cidade do México, Córdoba (Argentina), Madrid, Barcelona e Medellín – reuniram-se em Roma para continuar a trocar experiências em rede.

Nas cidades, que ocupam apenas 3% da superfície terrestre, vive mais de metade da população mundial, o que influencia fortemente no comércio de alimentos e a cadeia produtiva.