ONU obtém “mais de dois terços” da verba pedida para ajuda ao Iémen


 

Lusa/AO online   Internacional   3 de Abr de 2018, 14:41

A ONU anunciou esta terça-feira que obteve “mais de dois mil milhões de dólares” (cerca de 1,6 mil milhões de euros) de promessas de financiamento da ajuda humanitária ao Iémen, que vive “a pior crise humanitária do mundo”.

“É um êxito assinalável da solidariedade internacional com o Iémen”, congratulou-se o secretário-geral da ONU, António Guterres, numa declaração à imprensa no final de uma conferência de doadores em Genebra.

“Mais de dois mil milhões de dólares” foram prometidos pelos doadores e “vários países anunciaram que haveria mais doações até ao final do ano”, disse.

“Estamos bastante otimistas quanto à possibilidade de atingirmos o nível correspondente às necessidades com que o povo iemenita se confronta”, acrescentou.

Na abertura da conferência, hoje de manhã, Guterres pediu à comunidade internacional 2,96 mil milhões de dólares, cerca de 2,4 mil milhões de euros, para os programas de ajuda de emergência no Iémen, confrontado com “a pior crise humanitária do mundo”.

Em 2017, a ONU lançou um apelo de 2,5 mil milhões de dólares e os doadores avançaram fundos num valor total de 73% daquela verba.

Mas as necessidades são hoje maiores no Iémen, onde desde 2015 uma coligação dirigida pela Arábia Saudita combate os rebeldes ‘huthi’, apoiados pelo Irão, que controlam a capital.

A ONU estima que 8,4 milhões de pessoas estão em risco de fome no Iémen.

O país depende muito da importação de alimentos e, no ano passado, a coligação liderada pelos sauditas impôs um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo, em resposta ao lançamento de um míssil pelos ‘guthi’ que foi intercetado perto de Riade.

O bloqueio foi mais tarde atenuado, mas persistem restrições à entrada de bens.

“Precisamos de um acesso sem restrições ao Iémen e de um acesso sem restrições a todo os locais no interior do Iémen”, insistiu o secretário-geral, acrescentando: “E, sobretudo, precisamos de um processo político sério que conduza a uma solução política” para o conflito.

Questionado sobre o financiamento prometido pela Arábia Saudita, 930 milhões de dólares (758 milhões de euros), Guterres considerou que o aspeto militar e o aspeto humanitário “devem ser vistos separadamente”.

Sobre as perspetivas de evolução da situação, o secretário-geral disse haver “sinais positivos que permitem pensar num plano de ação para um diálogo inter-iemenita que permita chegar uma solução política com todas as partes implicadas no conflito”.

“Estou otimista quanto a essa possibilidade”, afirmou.



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