Oliveiras e alfarrobeiras da Via Infante exportadas para Dubai e China

Oliveiras e alfarrobeiras da Via Infante exportadas para Dubai e China

 

Lusa / AO online   Economia   16 de Dez de 2007, 11:13

Oliveiras e alfarrobeiras salvas da Via Infante de Sagres, no Algarve, são hoje vendidas para luxuosos empreendimentos turísticos, campos de golfe e jardins privados de famosos.
    Com a morte dada como certa, muitas destas árvores são pagas a peso de ouro e exportadas para o Dubai, China, Austrália, Alemanha, Espanha e Marrocos.

    "Compram-nos aos camiões e camiões carregados de oliveiras e vão para toda a Espanha principalmente para Alicante e Múrcia", conta à Lusa Luís Piedade, sócio gerente do centro de jardinagem 'Ecossistemas', assegurando que 70 por cento do negócio do verde vai para o mercado espanhol.

    A exportação de oliveiras e alfarrobeiras (árvores não protegidas como é o sobreiro) está em fase de expansão e embora Espanha venha directamente buscar aquelas árvores, a Internet é outra das soluções encontradas para estabelecer negócios com o Dubai, China ou Austrália, conta Luís Piedade.

    Enquanto a União Europeia dá a Portugal fundos para dizimar oliveiras centenárias para repor um olival de cultivo intensivo que possa dar azeitonas mais que uma vez por ano, milhares de oliveira, mas também alfarrobeiras e medronheiros são salvos antes das obras para depois serem vendidos.

    "Contactámos o construtor da Via Infante (Algarve) e da Barragem de Alqueva (Alentejo) e aproveitámos as oliveiras e as alfarrobeiras através do transplante", caso contrário seriam abatidas durante a construção das infra-estruturas, conta à Lusa Luís Piedade.

    "Regamos, adubamos, damos beijinhos, pulverizamos com insecticidas e fungicidas e elas voltam a renascer", desabafa Rui Piedade, levantando os olhos para uma alfarrobeira de quatro metros de altura e mais de cem anos de idade e que para venda ao público está avaliada em 2.500 euros.

    Muitas árvores da Via Infante e do Alqueva estão hoje a viver em empreendimentos de luxo no Algarve, como o Pine Cliffs, do grupo Sheraton, Penina da Quinta do Lago ou na Quinta da Boa Vista, na Praia da Luz, em Lagos.

    Os grupos hoteleiros não se coíbem de abrir os cordões à bolsa para pagar entre cinco a seis mil euros por uma oliveira milenar transplantada e salva da Via Infante de Sagres (A22) ou desembolsar 2.500 euros por uma alfarrobeira centenária, revela o sócio gerente.

    Campos de golfe algarvios e jardins de jogadores de futebol internacionais, de artistas de humor, actores nacionais e até de Presidentes da República Portuguesa recebem árvores da 'Ecossistemas'.

    A própria vivenda da consagrada banda musical 'Simple Minds', localizada na Praia da Luz e entretanto vendida a um português, também recebeu plantas e árvores da empresa algarvia a operar desde 1988.

    Oliveiras com 20 e 30 anos e a custar os 200 euros são também um produto muito requisitado para jardins privados, conta Luís Piedade, orgulhoso.

    Jardins 'eco-secos' - jardins à base de inertes secos e plantas autóctone com reduzida manutenção e consumo de água -, campos desportivos, campos de ténis ou parques públicos são outros negócios do verde a que autarquias algarvias e até a Universidade do Algarve já recorreram.

    Na empresa que leva a sério a Lei de Lavoisier - "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" -, o próximo passo é conseguir reciclar os lixos verdes que produzem - relva, folhas, raízes e ramos - e produzir adubo para conseguirem ser auto-suficientes em substrato para os vasos, sonha o jardineiro e gerente da Ecossistemas.

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