Oficinas lucram com crise na venda de carros novos

Oficinas lucram com crise na venda de carros novos

 

Lusa/AO online   Nacional   31 de Out de 2012, 16:25

As oficinas e empresas que comercializam componentes e acessórios estão a lucrar com a crise na venda de carros novos, defenderam esta quarta-feira profissionais da área no dia de estreia da Expoauto

“As pessoas têm cada vez menor poder de compra e estão a estender ao máximo a manutenção dos carros, pelo que se nota um acréscimo na procura das oficinas de reparação”, disse à Lusa uma das responsáveis por uma empresa que representa e comercializa peças para automóveis japoneses e coreanos, Ana Ribeiro, presente no evento que decorre até domingo na Exposalão, Batalha, e no qual são esperados cerca de 50 mil visitantes.

Em Portugal “trocava-se de carro em menos tempo e isso já não acontece” e, por isso, “há cada vez mais gente a reparar as viaturas” e cada vez mais empresas no negócio de peças, no pós-venda”, sublinhou outro profissional do mesmo setor, Bruno Rodrigues.

A crise que assola o setor automóvel chegou também ao comércio de pneus: “O nosso cliente profissional tem dificuldade em vender novo e o automobilista não tem dinheiro para comprar outro pneu”, pelo que a solução, no mercado de hoje, “passa pela reparação e em vulcanizar os pneus”, frisou o responsável por uma empresa que vende equipamento de recauchutagem, Vítor Rocha.

Na área dos lubrificantes e aditivos, a crise no setor também trouxe oportunidades para fazer crescer o negócio, num mercado que valoriza cada vez mais produtos que contribuam para a longevidade da viatura.

Um dos profissionais da área, Paulo Augusto, revelou que só no primeiro semestre a empresa registou um aumento de 80% no volume de negócios.

O representante de um concessionário da Mitsubishi, Hyundai e Nissan salientou que “o tempo de troca de carro, em média, é já superior a dez anos” e defendeu que a real quebra de vendas de viaturas em Portugal ultrapassa os 50%, superior aos 42% avançados pela Associação Automóvel de Portugal referentes aos primeiros nove meses de 2011.

Por isso, explicou Paulo Sismeiro, “o mercado das oficinas e o pós-venda, neste momento, são muito importantes”, pelo que é necessário investir na “concessão integrada e com várias marcas, como se fosse um supermercado de carros”.

Já o responsável por um concessionário da Mercedes Benz, Mário Barreiros, sustentou que “no setor automóvel não há ninguém que não se tenha ressentido”.

Este ano a empresa vai “conseguir fechar 2012 passando ao lado da crise” porque teve “uma quebra de venda inferior à média do mercado”, explicou, adiantando que para a obtenção de este resultado muito contribuiu o segmento de carros usados “e o melhor ano de sempre nos [veículos] pesados”.

Até setembro, as vendas de comerciais de ligeiros em Portugal foram as mais atingidas pela retração no consumo, registando uma queda de 55,1%, enquanto as vendas de ligeiros de passageiros sofreram uma redução de 39,7%.

No mercado de veículos pesados as vendas caíram 38,6% nos primeiros nove meses do ano.

Segundo o administrador da Exposalão, José Frazão, o evento “reflete a crise”, visível, por exemplo, no “investimento na ocupação dos espaços por parte dos concessionários que caiu 30% em relação ao ano passado”, frisando que o “mercado automóvel diminuiu e o das oficinas está a crescer”.


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