Obras no Santuário do Santo Cristo começam em setembro

Obras no Santuário do Santo Cristo começam em setembro

 

AOnline/LUSA   Regional   15 de Ago de 2017, 11:55

A recuperação dos azulejos do coro baixo do Convento da Esperança arranca em setembro e obriga à deslocalização da imagem do Santo Cristo que vai continuar a ser venerada no mesmo local, disse o reitor do Santuário.

“Já encerramos o coro baixo, salvaguardando que fizemos uma adaptação junto às grades para que a Imagem do Senhor Santo Cristo continuasse a ser vista por todos. O Santo Cristo está praticamente muito perto das grades”, afirmou o cónego Adriano Borges, em declarações à agência Lusa.

O santuário está localizado no Convento da Esperança no Campo de São Francisco, em Ponta Delgada, onde anualmente decorrem as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, as segundas maiores cerimónias religiosas do país, depois de Fátima.

O coro baixo, onde está a imagem do Santo Cristo, que só sai à rua uma vez por ano, no quinto fim de semana a seguir à Páscoa, está revestido por azulejos historiados do séc. XVIII, de António de Oliveira Bernardes.

A capela e o convento foram construídos em 1545.

O reitor do Santuário adiantou que a intervenção nos azulejos "será feita de forma continuada e demorará cerca de um ano", estará a cargo de uma empresa com certificado internacional, com sede em Lisboa, com técnicos portugueses e italianos que "já estiveram em São Miguel a fazer o levantamento fotográfico" dos painéis.

“Meia dúzia dos azulejos caíram ao longo dos anos ou saíram e nem sempre foram colocados corretamente. Além disso, a humidade fez com que alguns já estivessem a descolar das paredes”, referiu, acrescentando que a intervenção implica também o restauro, num plano aprovado pela direção regional Cultura e pela Comissão Diocesana dos Bens Culturais da Igreja.

Segundo o cónego reitor do Santuário, "os azulejos serão todos retirados individualmente com os cuidados técnicos necessários" e recolocados no seu local, após uma intervenção nas paredes.

Após o restauro dos azulejos, a intervenção será no coro alto, incluindo o altar-mor, que é revestido a talha dourada, "e algumas telas e imagens de muita qualidade", que integram um vasto património com séculos de existência, salientou.

O reitor do Santuário destacou ainda que essa intervenção "vai não só incluir o chão do coro alto, mas também os telhados do torreão e da igreja", frisando que não é de prever que os trabalhos condicionem a atividade normal do santuário, como a eucaristia diária, nem impliquem o fecho do espaço.

“As obras vão abranger a zona residencial e cerca de 30 quartos do Convento vão ser remodelados”, sublinhou, indicando que algumas zonas do convento, que ocupa mais de 12 mil metros quadrados, vão ser adaptadas para a instalação de um percurso museológico onde "os visitantes poderão ter a ideia do que era uma vida conventual".

Na antiga cozinha do convento existe um pequeno núcleo museológico, mas o objetivo será a criação de um espaço museu onde estarão expostas as capas do Santo Cristo que cobrem a imagem do Ecce Homo que foi oferecida às freiras Clarissas pelo papa Paulo III há mais de 400 anos e que pesa cerca de 450 quilos.

A imagem sai à rua numa procissão, no sábado, em redor do campo de São Francisco, onde nos devotos cumprem promessas de joelhos, e num cortejo no domingo pelas ruas da cidade.


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