Obra analisa em mais de 400 páginas descobrimento científico dos Açores


 

Lusa/AO online   Regional   12 de Fev de 2015, 17:38

A passagem de Charles Darwin pelos Açores ou a erupção do vulcão dos Capelinhos despertaram o interesse científico de naturalistas e exploradores internacionais, que visitaram as ilhas em missões de estudo, revela o livro do investigador açoriano Luís Arruda.

 

"Os Açores são conhecidos sectorialmente, porque são publicados trabalhos da área da geologia, da vulcanologia ou da meteorologia ou até da sua inserção no Atlântico. Mas esta obra, o que pretende, é apresentar o conhecimento, como é que se conhece os Açores, nas suas várias vertentes, desde o princípio, desde que foram povoados", disse à Lusa o autor da obra "Descobrimento Científico dos Açores: Do povoamento ao início da Erupção dos Capelinhos", promovida pelo Instituto Açoriano de Cultura.

Segundo Luís Arruda, investigador natural da Horta, o objetivo da obra é "divulgar a sequência cronológica do conhecimento científico dos Açores", frisando que o livro analisa o descobrimento do arquipélago do ponto de vista científico, "durante os vários séculos que se seguiram ao seu povoamento e até ao início da erupção dos Capelinhos", no Faial, em 1957.

De acordo com o investigador, existem "relatos de sismos e vulcões, principalmente, no que interessa à história natural, nos Açores, até ao fim do século XVIII, por exemplo, feitos normalmente por padres e por religiosos", que eram as pessoas que sabiam escrever e "relatavam esses acontecimentos à luz dos seus conhecimentos", explicando "aquilo como castigos de Deus".

"Mas o desenvolvimento científico numa outra perspetiva, do norte da Europa, não conciliava, não observava, não via estes fenómenos vulcânicos e sísmicos. Depois, com o final do século XVIII e os acontecimentos do final do século XVIII, como, por exemplo, a Revolução Francesa, a ciência começou a encarar os acontecimentos de outra maneira" e "a divulgação passou a ser outra", explicou o investigador.

Os estudos tornaram-se "mais especializados e desenvolvidos" e acontecimentos mundiais importantes, como a publicação da obra emblemática do naturalista Charles Darwin "A Origem das Espécies", em 1859, fizeram com que os Açores fossem "encarados de outra maneira".

Os Açores "começaram a ser mais procurados por outros naturalistas" e "até por navegantes", pessoas que passavam pelas ilhas a bordo de expedições, "algumas científicas, outras não, pessoas em viagens de recreio que se interessavam por questões de ciências da terra e da vida", afirmou o investigador.

"Se até à publicação da 'Origem das Espécies' o interesse era de levantamento sistemático, um interesse pela geografia, pelas condições meteorológicas, a partir daí, o interesse passou a ser outro", acrescentou, frisando que estes visitantes deixaram o seu testemunho em muitas publicações, referenciando os Açores como um ponto geográfico determinante.

Luís Arruda explicou que, por exemplo, a erupção dos Capelinhos foi também determinante, porque permitiu a visita de muitas pessoas, "desde nacionais e estrangeiros, que acompanharam a erupção".

O livro "Descobrimento Científico dos Açores: Do Povoamento ao início da erupção dos Capelinhos" reúne mais de 400 páginas e é apresentado hoje no Faial, na sexta-feira na Terceira e no sábado em Ponta Delgada (São Miguel).

"É uma obra que se impõe, porque recolhe um acervo enorme de documentação científica e pode ser um ponto de partida para novos projetos de investigação científica", sustentou o autor.

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