Obesos expostos a contaminantes multiplicam riscos de sofrer de hipertensão

Obesos expostos a contaminantes multiplicam riscos de sofrer de hipertensão

 

Lusa/AO online   Ciência   29 de Mai de 2015, 12:47

Uma investigação científica demonstrou uma relação entre a exposição a níveis elevados de certos contaminantes orgânicos nas pessoas obesas e o seu risco de desenvolverem hipertensão, independentemente de outros fatores.

Segundo este estudo, liderado pela Universidade de Granada e pelo Instituto de Investigação Biomédica (ibs.Granada"), a exposição a níveis elevados de alguns destes contaminantes duplica o risco de hipertensão nas pessoas obesas, independentemente de outros fatores, como a idade ou o consumo de álcool ou tabaco, noticia a agência espanhola Efe.

Esta constatação está enquadrada num estudo mais vasto denominado "GraMo", no qual participaram, voluntariamente, mais de 300 pessoas de ambos os sexos, que, durante os anos de 2003 e 2004, iam ser operadas no Hospital Universitário San Cecilo e no Hospital Santa Ana de Motril, ambos em Granada, informou hoje a instituição académica.

Todos os participantes doaram amostras de sangue e gordura, para ser analisada a exposição acumulada a vários pesticidas e compostos industriais conhecidos como poluentes orgânicos persistentes (POPs), devido à sua resistência à degradação.

Passados dez anos do recrutamento dos voluntários para o estudo, foram registadas as doenças previstas para cada participante durante este período.

Os resultados obtidos demonstraram que os POPs associados com a hipertensão incluíam hexaclorobenzeno, um antigo fungicida que atualmente se liberta em processos industriais e, "y-HCH", um composto relacionado com o pesticida lindano, que foi amplamente usado na agricultura e em produtos de higiene pessoal.

Também havia três bifenilos policlorados (PCBs), usados em diversas aplicações industriais, como é o caso dos transformadores elétricos, isolantes ou em "líquidos de intercâmbio de calor".

O autor principal do estudo, Juan Pedro Arrebola, destacou que o uso de todos estes compostos mencionados está atualmente proibido em Espanha, ainda que, contudo, a totalidade da população do estudo apresentasse resíduos de algum deles no seu organismo, já que são muito resistentes à degradação.

Além disto, existem PCBs em equipamentos industriais obsoletos e em certos edifícios antigos, além de pesticidas armazenados em depósitos que, muitas vezes, não cumprem normas de segurança, pelo que continuam a libertar estes contaminantes para o meio ambiente.

Juan Arrebola apontou que o estudo contribui para a melhoria do conhecimento sobre a possível relação entre contaminação ambiental e a incidência de doenças crónicas, especialmente as relacionadas com a síndrome metabólica.

Os mecanismos de ação destes compostos não se conhecem em profundidade, mas podem incluir interação com certos recetores hormonais ou da produção de radicais livres, estes são átomos ou moléculas produzidos de forma contínua durante os processos metabólicos.

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