Obesidade reduz em 45 por cento as possibilidades de gravidez


 

Lusa/Ao online   Nacional   14 de Dez de 2007, 09:49

Um estudo holandês concluiu que a obesidade reduz em 45 por cento as possibilidades da mulher conceber um filho naturalmente e torna menos eficazes as técnicas de reprodução assistidas.
"O estudo mostra-nos que as mulheres obesas, apesar de terem de igual modo ciclos regulares, têm menos probabilidade de engravidar", disse Jan Willem van der Steeg, autor principal do trabalho.

    Em declarações à Lusa, António Neves, especialista em infertilidade da Maternidade Alfredo da Costa, corrobora as conclusões do estudo publicado na revista Human reproduction.

    Segundo António Neves "tudo depende da situação de infertilidade", no entanto, o normal é "as mulheres com excesso de peso não terem ovulação, ou quando têm, abortem".

    "A massa gorda provoca resistência à insulina periférica, acompanhada de hiperestrogenismo relativo", que sendo responsável pela ovulação, "a sua ausência provoca infertilidade", explicou.

    Apesar de considerarem ainda uma hipótese, os investigadores do estudo especificam a leptina, como estando relacionada com a infertilidade.

    Esta hormona é segregada principalmente pelas células gordas, regula ingestão e gasto de energia, o apetite e metabolismo.

    A hormona cresce à medida que aumenta a gordura corporal, e, deste modo, para os investigadores, pode intervir na produção de esteroides (hormonas sexuais) nos ovários e assim "afectar negativamente as possibilidades de uma fertilização".

    Nestes casos de infertilidade em que se recorre a um tratamento de fertilidade, António Neves diz que "é necessário que a mulher perca peso", pois a massa gorda pode "limitar a eficácia do tratamento, para além de aumentar o risco de aborto, a possibilidade de diabetes e hipertensão".

    No entanto, segundo António Neves, o tratamento só "deve ser" ministrado a mulheres com menos de 37 anos, com um Índice de Massa Corporal (IMC) inferior a 30.

    "Cinco ou dez por cento é o suficiente para o tratamento ter mais sucesso", disse.

    Acrescentou ainda que o processo de diminuição de peso "deve ser feito", com apoio psicológico, dietético e aos cuidados de um médico endocrinologista.

    A investigação foi feita a casais com problemas de fertilidade, mas que aparentemente não tinham qualquer problema para desenvolver uma gravidez, visto que as mulheres tinham a ovulação regular e os homens um espermograma normal.

    As 3000 participantes tentavam engravidar há mais de um ano.

    Os investigadores analisaram os dados relacionando o IMC, de acordo com a altura e peso, e as possibilidades de engravidar.

    Segundo os dados da Organização Mundial de Saúde, o índice de massa corporal ideal encontra-se entre os 19 e 24.9, o excesso de peso entre os 25 e 29, e a partir dos 30 é considerado obesidade.

    O estudo concluiu que as mulheres com um índice de massa corporal de 35 reduzem em 26 por cento as possibilidades de desenvolver uma gravidez espontânea relativamente às que têm um IMC entre 21 e 29.

    Se este índice atinge os 40, então as possibilidades de gravidez reduzem-se em 43 por cento.

    Da análise concluiu-se também que por cada ponto que aumenta o IMC, a probabilidade de engravidar reduz 5 por cento, aproximadamente.

    Do mesmo modo, uma mulher, por cada ano que envelhece, regista uma diminuição semelhante da possibilidade de engravidar.

    O estudo foi realizado por vários investigadores de diferentes universidades de Holanda que fazem investigação na área da infertilidade.

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