O vício de estudar os antepassados


 

Lusa/AO online   Nacional   26 de Dez de 2007, 11:16

O tempo que uma pesquisa genealógica exige não a torna acessível a todos mas quem começa a "puxar o fio à meada" garante que a procura rapidamente passa de uma mera "ocupação das horas vagas" a um "vício".
      António Alves Borges, um reformado de 70 anos, começou a pesquisar há quatro décadas e é agora um utente assíduo do Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa, onde passa "três horas por dia, quatro dias por semana".

    "Comecei a ter curiosidade pela genealogia aos 12 anos e, através de um avô e de uma tia-avó com excelente memória, consegui chegar aos trisavós", contou António Borges à agência Lusa, acrescentando que, "além das certidões das conservatórias ou das igrejas, a ajudar familiar é preciosa".

    Mas se por intermédio da família conseguiu recuar "até metade do século XIX", foi no Centro da Avenida Almirante Gago Coutinho que a busca se intensificou, permitindo-lhe "chegar ao século XVI, no caso de alguns parentes".

    "No caso de famílias humildes, é difícil um maior recuo, dada a inexistência de registos, mas as famílias nobres conseguem ir mais atrás, pois costumam manter a árvore genealógica actualizada", declarou à Lusa.

    Com "família paterna oriunda das Beiras e família materna de raízes transmontanas", António Alves Borges tem encontrado na sua árvore "pessoas muito simples e outras de certo valor".

    "Este trabalho torna-se apaixonante, pois queremos sempre saber coisas novas, ir um pouco mais atrás", afirmou, indo ao encontro de Alexandre Pereira, de 82 anos, que começou a pesquisar quando se reformou de engenheiro, aos 65 anos.

    Esclarecendo desde logo que não é "um genealogista mas um amador", Alexandre Pereira revelou à Lusa que decidiu construir a árvore "para ocupar as horas vagas", tendo acabado por "ganhar o vício".

    "Quando comecei tinha informação até alguns bisavós, depois fui recuando e já consegui chegar ao final do século XVI", contou, adiantando que, nos casos em que a caligrafia é quase indecifrável, "juntam-se três ou quatro pessoas em torno do monitor" até se chegar a uma conclusão.

    Além da informação estritamente genealógica, alguns registos incluem comentários que permitem esboçar um quadro da época - "por exemplo, se surge uma família que em poucos dias perdeu seis filhos, foi provavelmente por causa de uma peste", indicou.

    Também a falta de conhecimento científico sobre as doenças está patente nestes registos, "onde se diz diversas vezes que alguém morreu de um estupor, que seria, possivelmente, um acidente vascular cerebral", comentou Alexandre Pereira, que repara ainda "em algumas alcunhas ou em nomes mais curiosos".

    Alexandre Pereira só está em Lisboa dois meses e meio por ano - período em que aproveita para frequentar o Centro da História da Família/Biblioteca Genealógica de Lisboa - mas durante o resto do tempo não baixa os braços, fazendo também consultas "nos arquivos distritais do Porto e de Braga".
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