O típico pão doce dos Açores é "presença obrigatória" na festa do Espírito Santo

O típico pão doce dos Açores é "presença obrigatória" na festa do Espírito Santo

 

Lusa / AO online   Regional   24 de Mai de 2015, 12:06

A massa sovada, um típico pão doce feito nos Açores com ligeiras diferenças entre as ilhas, é "presença obrigatória" nas festas do Espírito Santo, que por esta altura do ano ocorrem em vários locais, unindo todos os açorianos.

 

“Varia de pessoa para pessoa, nem todos fazem igual, nem usam a mesma receita”, afirmou à Lusa Lina Moniz, natural da ilha do Pico e que há 20 anos faz para a família e para quem lhe pede massa sovada, cumprindo “à risca” a receita que aprendeu com a mãe.

No essencial, este típico pão doce açoriano é feito utilizando farinha, ovos, manteiga, açúcar e leite, sendo tradicionalmente cozido em forno de lenha depois de a massa levedar. Antes de levedar, a massa é bem amassada, ou seja, sovada, e daí o nome deste pão.

“A gente faz mais do que uma vez no ano. Na altura do Espírito Santo também cozemos rosquilhas [bolo de massa redondo com buraco ao meio que é muito caraterístico nas ilhas do grupo central do arquipélago]”, referiu Lina Moniz, que habitualmente confeciona a massa com vizinhas e amigas no Salão do Cantinho das Serra, onde existem dois fornos e uma “amassadeira” elétrica, permitindo preparar quantidades maiores.

Segundo disse Lina Moniz, a massa sovada e as rosquilhas têm diferença, porque a primeira “é mais doce e a segunda não é tanto”, também “os tempos de cozedura são diferentes”, podendo variar “entre trinta minutos e uma hora”.

Comida como sobremesa ou acompanhamento da sopa do Espírito Santo, consoante a ilha açoriana, a massa sovada pode durar “em bom estado” uma semana depois de cozida.

Lina Moniz já perdeu a conta aos “bolos de massa alta” que já fez este ano, porque além da época do Espírito Santo, também cozeu na Páscoa e noutras alturas.

“Dá um pouquinho de trabalho, mas vale a pena”, referiu a picarota, que já foi mordoma do Espírito Santo várias vezes e não se importava de voltar a ser, por ter “muita fé na terceira pessoa da Santíssima Trindade”.

Também na ilha de São Miguel uma pastelaria aberta há menos de dois anos está a receber pela primeira vez encomendas para fazer massa sovada e bolos enfeitados com os símbolos do Espírito Santo (coroa, bandeira, pomba branca).

“Temos recebido várias encomendas. Os preços variam com o tamanho que as pessoas pedem, mas o bolo de massa para os Impérios varia entre os dois euros e vinte cêntimos e os três euros”, afirmou à Lusa Bruno Figueira, proprietário da pastelaria que conta com estabelecimentos em Rabo de Peixe, Ponta Delgada e Capelas.

Bruno Figueira adiantou, ainda, que os bolos mais pedidos são de 800 gramas e de um quilo.

A devoção ao Santíssimo faz parte da história do arquipélago e é de tal forma importante que a Segunda-feira da Espírito Santo foi escolhida para celebrar o Dia da Região, que este ano se assinala a 25 de maio.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
 
Termos e Condições de Uso.