"O nosso tecido empresarial, quer queiramos quer não, é envelhecido" (vídeo)

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Rodrigo Tavares   Regional   21 de Fev de 2017, 09:27

João Dâmaso Moniz, CEO e fundador do Centro Empresarial dos Açores (CEmpA), esteve à conversa com o AO acerca do desenvolvimento de espaços de coworking em São Miguel, bem como do empreendedorismo

AO: Nos Açores os coworks ainda não são tão conhecidos como já o são em Portugal Continental. O tecido empresarial açoriano ainda tem uma visão muito tradicional dos espaços de trabalho?

JDM: Sem dúvida alguma. Não estou a exagerar se disser que 90% das pessoas que ocupam essa tipologia de espaços de trabalho no CEmpA têm menos de 30 anos, ou seja, é um espaço vocacionado essencialmente para jovens. O nosso tecido empresarial, quer queiramos quer não, é envelhecido. Se formos ver a nível de literacia e habilitações académicas, a maior parte dos nossos gestores não tem grandes níveis de formação. Por isso eu até acho normal que não tenham apetência ou essa grande familiaridade com espaços de coworking. Quando fizemos a inauguração [do CEmpA] já tínhamos os [seis] gabinetes todos completos e somente duas [de dez secretárias] de coworking ocupadas. Foi mais fácil escoar, em termos de mercado, os gabinetes (...) porque o nosso tecido empresarial está habituado a fechar-se num determinado espaço e a trabalhar sem interferências.

 

AO:Tendo como foco os mais jovens, considera que há quem não tenha características de empregabilidade e que por isso opta pelo empreendedorismo?

JDM: O empreendedorismo não pode ser visto como uma solução para os nossos males. O empreendedorismo pode trazer um contributo bastante interessante para a diminuição das taxas de desemprego, para o aumento da criação de empresas...porque há efetivamente jovens, pessoas até menos jovens, que têm essa dinâmica e com projetos bastante interessantes. Mas não podemos acreditar que o empreendedorismo vai solucionar [todos esses problemas]. Sei que somos a região do país que mais cria empresas novas, mas é importante não nos ficarmos só pelos números. Se abre uma empresa com 30 pessoas e abre uma empresa em que o único colaborador é o sócio-gerente não estamos aqui a criar grandes vantagens para a economia. [Agora], o conceito de empreendedorismo tem evoluído ao longo dos tempos e atualmente todas as empresas querem é colaboradores empreendedores. Pessoas que dentro de uma empresa procuram ter criatividade e capacidade para criar riqueza.

 

Leia esta entrevista na íntegra no Açoriano Oriental de segunda-feira, dia 20 de fevereiro


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