O ministro que resistiu aos protestos dos polícias mas não ao escândalo dos vistos


 

AO/lusa   Nacional   16 de Nov de 2014, 19:23

O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, de 55 anos, resistiu aos protestos dos polícias, há um ano, mas não resistiu ao escândalo dos vistos 'gold', cuja investigação envolve pessoas que lhe são próximas.

 

Embora a Procuradoria-Geral da República (PGR) tenha esclarecido na sexta-feira que não estavam a ser investigados membros do Governo, Miguel Macedo optou por apresentar a demissão ao primeiro-ministro, devido a convicções pessoais e políticas.

No âmbito da investigação relacionada com a atribuição de vistos dourados, na quinta-feira, foram realizadas seis dezenas de buscas em vários pontos do país, incluindo nos ministérios da Administração Interna, da Justiça e do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia.

"Estas buscas destinaram-se à recolha de informação relacionada com departamentos, serviços e funcionários daqueles ministérios, e não visavam membros do Governo", disse a PGR.

No entanto, Miguel Macedo, que afirmou não ter qualquer responsabilidade no processo, considerou que a "forte autoridade" necessária ao desempenho das funções, enquanto ministro da Administração Interna tinha ficado diminuída e, por motivos políticos, optou por se demitir.

A demissão do ministro da Administração Interna surge, assim, três dias depois de, na quinta-feira, a Polícia Judiciária ter detido 11 pessoas suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais, tráfico de influência e peculato, relacionados com a atribuição de vistos ‘gold'.

Nesta operação foram detidos o diretor nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, a secretária-geral do Ministério da Justiça (MJ), Maria Antónia Anes, e o presidente do Instituto dos Registos e Notariado, António Figueiredo.

O escândalo relacionado com os vistos dourados conseguiu "derrubar" o ministro que os polícias, por si tutelados, não conseguiram quando há um ano atrás desobedeceram às suas ordens e invadiram a escadaria da Assembleia de República durante uma manifestação de protesto.

Miguel Bento Martins da Costa de Macedo e Silva nasceu em Braga, a 06 de maio de 1959, é licenciado em direito e advogado.

Depois de Pedro Passos Coelho ter sido eleito presidente dos sociais-democratas, em março de 2010, Miguel Macedo foi escolhido para liderar o grupo parlamentar do PSD e, nas legislativas de 05 de junho, encabeçou a lista do partido no círculo de Braga.

Antes de ser líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo fez parte da direção social-democrata de Marques Mendes, ocupando o cargo de secretário-geral, e teve três experiências governativas.

Militante social-democrata desde jovem, Miguel Macedo foi dirigente da JSD e a sua primeira experiência governativa aconteceu no primeiro Governo de maioria absoluta de Cavaco Silva, como secretário de Estado da Juventude do ministro Couto dos Santos, entre 1990 e 1991.

Integrou depois, entre 2002 e 2005, os governos de coligação PSD/CDS-PP de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes, como secretário de Estado da Justiça, trabalhando nessas funções com os ministros Celeste Cardona e José Pedro Aguiar-Branco.

Miguel Macedo foi eleito deputado, entre 1987 e 2002, regressando ao Parlamento em 2005, sempre pelo círculo de Braga.

Nas legislativas de 2009, durante a liderança social-democrata de Manuela Ferreira Leite, ocupou o segundo lugar da lista do PSD em Braga, a seguir a João de Deus Pinheiro.

Nas eleições autárquicas realizadas no mesmo ano, foi eleito membro da Assembleia Municipal de Braga. Anteriormente, foi vereador da Câmara Municipal de Braga, entre 1993 e 1997.



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