"O Leão da Estrela" é parábola quase em farsa, uma homenagem à comédia

"O Leão da Estrela" é parábola quase em farsa, uma homenagem à comédia

 

Lusa/AO Online   Nacional   17 de Nov de 2015, 07:38

Depois do sucesso de bilheteira com "O Pátio das Cantigas", Leonel Vieira prepara-se para estrear um novo filme, "O leão da Estrela", que cumpre uma homenagem à comédia no cinema português de há mais de sessenta anos.

 

"São filmes pelos quais nós temos muito carinho, porque é o melhor momento da comédia em Portugal. Só houve esse. (...) Este filme é uma parábola quase em farsa, mas ninguém pense que os filmes são mais sérios do que são. São comédias. O que me interessa é essa estrutura simples que procura ter muita eficácia", afirmou Leonel Vieira à agência Lusa.

"O Leão da Estrela", que tem antestreia hoje em Lisboa e chega aos cinemas no dia 26, segue a estrutura, personagens e enredo do filme homónimo, de Arthur Duarte, de 1947. É um filme sobre a ilusão das aparências, com o futebol em pano de fundo.

No elenco estão Miguel Guilherme, Manuela Couto, Sara Matos, Alexandra Lencastre, José Raposo, Dânia Neto, Vítor Norte, Manuel Marques, André Nunes, Aldo Lima, Ana Varela, Júlio César e Welket Bungué. Alguns deles já tinham participado no "O Pátio das Cantigas", de Leonel Vieira.

Com argumento adaptado de Tiago R. Santos, "O leão da Estrela" tem algumas alterações em relação à comédia de 1947. O protagonista, Anastácio, trabalha nas Finanças e, em vez de ser sportinguista, é um ferrenho adepto dos Leões de Alcochete, clube que irá defrontar o Barrancos do Inferno.

Miguel Guilherme, o ator que interpreta Anastácio, contou à agência Lusa que tentou distanciar-se do papel desempenhado por António Silva. "Enquanto n''O Pátio das Cantigas' trabalhei nas idiossincrasias do António Silva, neste foi sobretudo o guião".

O ator contou que, na construção da personagem, foi buscar coisas dele próprio, porque também é um português típico, e que Leonel Vieira lhe deu confiança sem lhe impor nada, sobretudo porque a comédia é "um registo tão difícil de fazer".

Leonel Vieira explicou que o filme está a meio caminho entre a verdade e a mentira, para que o espectador se sinta ao mesmo tempo identificado e perceba que é ficção.

"Tenho um 'feeling' que seria errado refilmar o mesmo guião", sublinhou.

Para o realizador, parte do sucesso de "O Pátio das Cantigas", estreado em julho e visto por mais de 600.000 espectadores, passou precisamente por aí: "[Os espectadores] Perceberam que não estávamos a contar a mesma história. Não é melhor, não é pior, é diferente. Não se faz um filme duas vezes".

Leonel Vieira estava confiante que o filme faria meio milhão de espectadores, por isso o valor atingido - que o coloca no topo dos filmes mais vistos em Portugal na última década - superou as expectativas.

Sobre "O Leão da Estrela", o realizador é mais prudente. "Se tiver mais de 200.000 espectadores já é um grande sucesso".

A homenagem ao chamado "período de ouro" da comédia no cinema português, feita nos anos 1930 e 1940, ficará concluída com "A Canção de Lisboa", que será rodada e estreada em 2016 e que contará com atores brasileiros no elenco.

Com produção e realização de Leonel Vieira, cada um dos três filmes custou cerca de 800.000 euros.

Enquanto prepara esta comédia, o realizador tem já em mãos outra longa-metragem.

Será a comédia romântica "Mulheres", com argumento de Pedro Varela, rodagem a partir de maio, entre o Brasil e Portugal, com elenco dos dois países.

"Será o primeiro português a ser lançado como um 'blockbuster' nos dois países e no mesmo dia", no natal de 2016, contou Leonel Vieira. "Será o maior lançamento nos dois países".

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